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John Carpenter

John Carpenter aos 73 anos, em entrevista. A música e o medo no mestre do cinema de terror

Não é só com filmes que John Carpenter inspira pesadelos: a sua música é um verdadeiro concílio de vampiros, fantasmas e esqueletos. “Não é obscuro, é divertido”, diz-nos, ao telefone da sua casa em Hollywood Hills

Habituámo-nos a pensar em John Carpenter como o homem que nos apresentou Michael Myers, um dos vilões mais reconhecidos da história do cinema de terror norte-americano. Foi, aliás, com “Halloween” — filme de 1978 que em Portugal levou o título “Regresso do Mal” — que o cineasta se tornou conhecido de um público mais amplo. Mas foi igualmente ali que uma geração inteira entendeu o impacto de um crescendo de teclas periclitantes na hora de antecipar o susto. As facetas de realizador e argumentista de Carpenter podem ser incomensuravelmente mais reconhecidas do que a de compositor, mas o trabalho musical que desenvolveu não só em “Halloween” como em “O Nevoeiro” (1980), “A Cidade dos Malditos” (1995) ou “Vampiros de John Carpenter” (1998) nunca ficou para segundo plano. É nele que o norte-americano está verdadeiramente concentrado desde que, em 2015, embarcou numa aventura discográfica com o filho, Cody Carpenter, e o afilhado Daniel Davies, filho de Dave Davies, guitarrista dos Kinks. “Lost Themes” funciona como banda sonora para filmes que não fez — ou que apenas construiu na sua cabeça — e o terceiro capítulo dessa saga instrumental, agora editado, traz consigo novas personagens, prontas para nos perseguir nos sonhos mais agitados. O suspense de ‘Weeping Ghost’, a sedução agressiva de ‘Vampire’s Touch’ e a dança cardíaca de ‘Skeleton’ podem atirar-nos para os recantos mais sombrios da imaginação mas, para Carpenter, este álbum, apesar de nascer do seu amor pelos filmes de terror, “não é obscuro, é divertido”.

Este é um artigo do semanário Expresso. Clique AQUI para continuar a ler.