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Uma parceria com o jornal EXPRESSO

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Pedro Abrunhosa

101 canções que marcaram Portugal #28: 'Socorro', por Pedro Abrunhosa

Quando Portugal foi apresentado a Pedro Abrunhosa, este era um todo com muitas partes. Foi preciso o jazz, o 'outfit', Carlos Maria Trindade e um naipe de grandes canções para o músico do Porto avassalar Portugal nos anos 90. Esta é a 28ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

Grandes referências da música pop dos últimos 60 anos teriam muita dificuldade em passar da primeira fase de um concurso de talentos. Muitos figurariam hoje nos cromos que se reveriam anos a fio no YouTube. Milhões de jovens são iludidos por júris de concursos de talentos em todo o mundo porque lhes juram que ter uma cara simpática, um corpo equilibrado e, acima de tudo, uma voz possante e afinada é passaporte seguro para o sucesso. Todavia, o elemento mais fundamental para alcançar o sucesso é a composição. É mais presumível que uma grande canção triunfe numa voz mediana do que uma canção mediana triunfe numa grande voz. Porque nem todos podem ser Elvis, Orbisons, Liberaces ou José Cids.

Pedro Abrunhosa não é uma exceção nem vem apenas confirmar esta teoria. Abrunhosa ocupou um espaço vago na música dos anos 90 – numa década de folia e histeria económica – e arrastou Portugal para o seu "Viagens". O professor de contrabaixo na Escola de Música do Porto percebeu que estava destinado a ser maior - mais do que grande. E que Portugal não comportava Coltranes, Miles ou Monks. Mas que a Portugal ia ser servido um banquete de jazz – só que confecionado com outros ingredientes: do pop, da canção ligeira, do funk e do rap. Letras em português: intensas, compassadas, elegantes. Histórias contadas – de azeiteiros eufóricos ("nas tuas mãos a 4L mais parece um Jaguar") a amantes sentimentais ("sozinho com o peso do caminho que se fez para trás").

A pose de Abrunhosa era magnética: chéchias de cores berrantes, faixa de bigode à Raul Julia, casacas espampanantes; e gestos: resgatados do rap e palmas só com a ponta dos dedos. E óculos excêntricos. Toda uma figura espalhafatosa, carismática, cativante, sedutora. E a voz? Fugia por completo a padrões: era cava, grave, um timbre de flirt. Não cantava; sussurrava. Como se falasse ao ouvido de uma mulher num bar sofisticado.

Ainda assim, pela estranheza de todos estes elementos, as editoras não acreditaram no futuro fenómeno – que as apostas arriscadas não invertem habitualmente as probabilidades de insucesso. Mas Pedro Abrunhosa estava destinado a avassalar. Mas para isso teve de se intrometer Carlos Maria Trindade, acostumado a fazer florescer conceitos improváveis. E nasceu assim, por tudo o que tinha determinado e pela intuição de Trindade, o fenómeno que iria agitar o Portugal dos anos 90.

'Socorro' varreu rádios, pistas de dança e televisões – sedentas de uma sonoridade nova, original, melódica e atraente. E aquela figura. A seduzir gerações, público, mulheres e homens, jovens e adultos. Abrunhosa era um todo cheio de pequenas partes – porque cada uma das partes, isoladamente, porventura não teria feito Pedro Abrunhosa. Poderia ter sido um fogacho, fenecido depois que foi o furacão "Viagens". Mas para Pedro Abrunhosa 'Socorro', 'Não Posso Mais', 'Lua' ou 'Tudo o que Eu Te Dou' era só o começo.

Depois de "Viagens" estava trilhado o caminho e, agora sim, podia selecionar a música que quisesse - que era já Pedro Abrunhosa. Poderia voltar às raízes, se quisesse, ao jazz. Mas não, mais uma vez na vida deste artesão as probabilidades saem invertidas. Optou pelo caminho da canção ligeira, pelas letras adocicadas e complexas, pelos acordes ao piano opostos ao frenesim do free jazz. O jazz agora em segundo plano.

Mais de 25 anos depois de ‘Viagens’, Pedro Abrunhosa ainda por cá habita. O furacão repetiu-se outras vezes. Repetir-se-á. Ouvimos até ao esgotamento as composições de "Momento", "Luz" ou "Longe". E basta Abrunhosa sentar-se ao piano para antever que aqueles acordes podem, como um maestro que dirige compassos, invadir as rádios de novo. As televisões. Portugal. Porque Abrunhosa sabe do que é feito o seu povo; dá expressão à sua mais pura forma de amar. Porque a definição de amor não é universal. Mas em Portugal ama-se assim.

Depois de ‘Viagens’, ainda no meio do ciclone "Viagens", chegaram os Coliseus. De Lisboa. E chegou o Coliseu do Porto. Do seu Porto. E foi no Porto que, na última canção, o seu público, com chamas empunhadas (então a fazerem as vezes dos ecrãs de telemóveis), cantaram alto todos os versos, linha por linha, de todas as canções do seu único álbum até aí. E foi ali, no Porto, diante do seu público, que Abrunhosa quebrou, que embargou a voz, que se ajoelhou, que não conteve as lágrimas, que agradeceu a reciprocidade da entrega. E deixou o Porto cantar por si. Afinal, como homonomia do seu álbum, tinha sido uma frenética viagem. E um homem também chora quando assim tem de ser.

Só queria estar sozinho
E não pensar mais em amor
Sempre que conheço alguém
Fico de mal a pior

Ouvir também: 'Não Posso Mais', do mesmo álbum (1994). Produção de Mário Barreiros. Saxofone de Maceo Parker. All that jazz...

  • 101 canções que marcaram Portugal #21: 'Porta Secreta', por Artur Garcia

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    Em 1967, o Festival da Canção foi ganho por Eduardo Nascimento. Nesse ano, Artur Garcia, uma das grandes vedetas em Portugal, levou a canção que o iria imortalizar, tendo porventura escolhido o ano errado para levar a concurso a sua ‘Porta Secreta’. Foi um ídolo do seu tempo. Esta é a 21ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #22: 'Sonho Azul', por Né Ladeiras

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    'Sonho Azul' é a canção mainstream de Né Ladeiras, a que iria lançar a cantora hoje conotada com uma ambiência mais tradicional. É uma canção elegante e intemporal dos anos 80, mas foi para Né Ladeiras um apeadeiro na música que queria dar ao país nas décadas que se seguiriam. Esta é a 22ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #23: 'Amanhã', pelo Duo Ouro Negro

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    Foram embaixadores do Portugal tropical. Foram embaixadores de Angola em Portugal e no mundo. O que fez de Raul e Milo maiores, para além da elegância da sua música, foram aquelas vozes mornas, os braços abertos, a alegria e os passos roubados à caduque e ao semba. Esta é a 23ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #24: 'Rolar no Chão', pelos Afonsinhos do Condado

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    Os Afonsinhos do Condado deram a Portugal o Caribe. Era uma banda delirante, mas não se limitava a fazer humor. Tinha um naipe de grandes músicos e bagagem vasta de muita música e de muitos géneros, que culminou em canções refinadas que marcaram o final da década de 80. Esta é a 24ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #25: 'Bairro do Amor', nos 70 anos de Jorge Palma

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    Jorge Palma é mais do que música: é poesia. Zarpou muitas vezes de Portugal e aí bebeu matéria para as suas composições depuradas. É o compositor marginal que gostaríamos de ser, de ter sido, de representar – como um arquétipo de liberdade. Estendeu durante décadas o chapéu com uma frase muito sua: “qualquer coisa pá música”. No dia dos seus 70 anos, somos nós quem tira o chapéu e lho estende. Esta é a 25ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #26: 'Adeus Tristeza', por Fernando Tordo

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    ‘Adeus Tristeza’ foi uma canção escrita a uma mão - e tanto que Fernando Tordo se acostumara à mão treinada do seu parceiro Ary dos Santos. É uma canção na ressaca da parceria mais fecunda da música portuguesa, uma canção-sinopse da sua vida, uma legenda da sua biografia. Esta é a 26ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #27: 'Music', pelos The Gift

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    Os The Gift assinalam 25 anos de carreira. O seu percurso foi feito de glórias e de enviesamentos. A sua margem nunca foi a das convenções. Uma banda com muitos improváveis com tudo para dar certo. Esta é a 27ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #14: 'Estou Além', por António Variações

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    António Variações viveu 39 anos e varreu Portugal em dois. Portugal ainda não se recompôs de António Variações. Variações não era de tempo algum e o nosso tempo ainda não chegou a Variações. Uma história da música em Portugal que cruza Amares, o Frágil, o Zé da Guiné, a Guida Gorda e Andy Warhol. Esta é a 14ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #15: 'Verdes Anos', por Carlos Paredes

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    Carlos Paredes era um compositor complexo e um homem complexo. O bem que fez resume a essência de onde está a nossa génese. Poderia servir de compêndio para a diferença entre o virtuosismo e a emoção. A sua história cruza música popular e erudita. Malangatana. E Big Macs. Esta é a 15ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #16: 'A Minha Casinha', por Milú

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    Milú foi figura primeira de filmes nos anos 40 e 50. Arriscou carreira no Brasil, regressou e esteve quase vinte anos sem filmar. José Fonseca e Costa recuperou-a já veterana, desconstruindo a imagem cândida que preservava de filmes estereotipados. ‘A Minha Casinha’, tal como ela, faz parte de um tempo ingénuo e puro, faz parte de Portugal, mas pouca parte faz já de nós. Esta é a 16ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #17: 'Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades', por José Mário Branco

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    Aquilo por que José Mário Branco lutou foi a sua matriz de vida: a liberdade. Tomou-a a pulso e guardou décadas a tentar incutir em Portugal que a liberdade não é um dado adquirido e que há muitas formas de repressão. A história de José Mário Branco atravessa Humberto Delgado, Paris, Zeca Afonso e Luís de Camões. É feita de inquietação e serve de rumo para um Portugal atual. Esta é a 17ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #18: 'Sôdade', por Cesária Évora

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    Cesária Évora é a embaixadora de Cabo Verde no mundo, 'Sôdade' a sua canção mais emblemática. A que define a essência dos cabo-verdianos: a angústia de ficar querendo partir e a angústia de partir querendo ficar. Esta é a 18ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #19: 'Marcha dos Desalinhados', pelos Delfins

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    A história dos Delfins cruza-se com António Variações, Eduardo Nascimento e Miguel Esteves Cardoso. Tiveram engenho para criar canções servissem tanto quem quisesse revoltar-se como quem quisesse uma música de fundo para abraços apaixonados. Foram a banda do pós-PGA, de uma geração que não tinha por que revoltar-se, a maior banda portuguesa dos anos 90. Esta é a 19ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #20: 'Cavalos de Corrida', pelos UHF

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    No final dos anos 70, como reação a canções de intervenção e delicodoces, passou a construir-se uma nova música em Portugal. Nascidos na margem a sul da capital, os UHF foram alento para uma nova geração de músicos e de público, regulando até hoje o rock que se faz por cá. Esta é a 20ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #8: 'Kanimambo', por João Maria Tudella

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    João Maria Tudella foi espião, cantor, tropicalista empedernido. Era um aristocrata nos modos e na substância. 'Kanimambo', o seu 'one hit wonder', é hoje uma canção datada, que conserva a memória dos que viveram no Portugal ultramarino. Ainda que essa memória não esteja ainda esquecida, quem ouve hoje os primeiros batuques da canção não deixa de sorrir, de rever o seu humor. Uma história que cruza Lourenço Marques, o Repórter X e Jorge Jardim. Esta é a oitava de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #9: 'Amor', pelos Heróis do Mar

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    Foi uma das saídas fora de estrada que os Heróis do Mar fizeram para regressarem depois à sua matriz. À provocação do início seguiu-se uma canção doce, dançável, inflexão ao rock seco que se fazia então em Portugal. Ainda hoje, aquele ‘dráá-tá-tá-tá’ tem um efeito dopamínico. Esta é a nona de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #10: 'Menina dos Olhos d'Água'

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    Pedro Barroso foi um homem de contradições: doce e indignado, um homem com o ‘sim’ por génese e o ‘não’ por convicção. Um esculpidor de cantigas impassível a modas, um criador sem tempo – sempre no tempo certo. Esta é a décima de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #11: 'Vendaval', por Tony de Matos

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    Tony de Matos foi ‘o’ grande cantor romântico de Portugal, um Sinatra à portuguesa. Tinha uma melena negra, fatos de bom corte e uma voz agigantada. Fez suspirar mulheres pelo seu jeito marialva e homens pelo seu carisma. ‘Vendaval’ é a história de uma grande canção. Esta é a 11ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #13: 'Canção de Madrugar', pelo Conjunto Académico João Paulo

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    Portugal não compareceu na Eurovisão em 1970, mas Sérgio Borges, o vencedor, inscreveria com autoridade outra das canções desse festival. O seu Conjunto Académico faria de ‘Canção de Madrugar’ um sucesso. É uma canção que, cantada de mil formas, soará sempre nova. Esta é a 13ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #2: 'Pérola, Rosa, Verde, Limão, Marfim', por Dina

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    Dina. Dinamite. A meia dose, como lhe chamava Kris Köpke. Bebeu música de África e do rock, e com elas compôs baladas. Pouco tempo antes da reclusão, teve direito a celebração com músicos insuspeitos. Como insuspeito foi construído o seu percurso na canção em Portugal. Esta é a segunda de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas, os compositores e os intérpretes que ficaram para história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #3: 'Lisboa Menina e Moça', por Carlos do Carmo

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    Esta canção, escrita a quatro mãos, tornou-se no hino de Lisboa. De uma Lisboa que ainda existe, que existirá sempre. Os bairros, o fado, a sua luz. Lisboa vive hoje de outros pregões, mas nem por isso deixa de ser uma cidade menina e moça, a mulher da vida de muitos. Esta é a terceira de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #4: 'Demagogia', por Lena d'Água

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    'Demagogia' é uma canção da pré-ressaca do rock português. Uma canção politizada, de inquietação contra os políticos, uma canção de ressaca da saída de Lena d'Água da Salada de Frutas. Esta é a quarta de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #5: 'A Canção do Beijinho', por Herman José

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    O Portugal de 1980 estava ainda a despedir-se da euforia da revolução. Estava a ser bonita a festa, pá. Estava de bem consigo, indiferente à troika que aí viria. Queria pão e vinho sobre a mesa. Festas e afetos. E Herman José, que nunca aprendera a ser povo, fê-lo sempre em maior do que todos. Esta é a quinta de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #7: 'Recordar É Viver', por Victor Espadinha

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    ‘Recordar É Viver’ é uma canção portuguesa, mas poderia ser francesa ou italiana. Victor Espadinha, homem inquieto e de muitos talentos, soube aí que tinha mais um: cantar. O homem dos palcos, da rádio, da televisão, da greve de fome, da carreira adiada em Londres, teve assim a legenda de uma carreira que não se bastou aí. Esta é a sétima de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #1: 'Desfolhada Portuguesa', por Simone de Oliveira

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    Se Portugal pudesse escolher uma só cantiga do Festival da Canção, escolheria com certeza a ‘Desfolhada’. Simone de Oliveira deporia em 1969 a sua condição de menina. Tomaria balanço para mais cinco décadas de emoção – sentida e feita sentir. Sempre a conjugar com o verso de Ary, com um fogo posto. Esta é a primeira de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas, os compositores e os intérpretes que ficaram para história da música portuguesa