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José Mário Branco

Rita Carmo

Morreu José Mário Branco

Tinha 77 anos e morreu esta terça-feira

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Um dos nomes maiores da música portuguesa dos últimos 50 anos, José Mário Branco morreu esta terça-feira. Tinha 77 anos.

Nascido no Porto, em maio de 1942, foi entre a invicta e Leça da Palmeira que passou a infância, antes de estudar História nas universidades de Coimbra e Porto. Nesses tempos, começou a intervenção política no Partido Comunista Português, o que o levaria a ser perseguido pela PIDE e ao exílio em França. Estávamos na década de 60.

Em novembro de 1971, em plena luta contra o Estado Novo e ainda exilado em França, dá à estampa o seu álbum mais emblemático, “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”, musicado a partir de textos de autores como Natália Correia, Alexandre O’Neill, Luís de Camões e Sérgio Godinho. É a partir desse período que vai conquistando um lugar como um dos mais importantes autores da música de intervenção em Portugal, cimentado sobretudo no período da revolução do 25 de abril. Depois disso, em 1982, lança “Ser solidário”, onde se inclui a faixa “FMI”, uma das mais célebres e muito recuperada anos depois.

O último álbum de originais foi lançado há 15 anos, já em pleno período democrático: “Resistir é vencer”, de 2004, é uma homenagem ao povo timorense.

Além de músico e autor, José Mário Branco foi responsável pela produção e arranjos musicais de uma série de discos de outros artistas portugueses, de Sérgio Godinho a Fausto Bordalo Dias, nenhum tão marcante quanto outro José: o também imortal Zeca Afonso. Os álbuns “Cantigas do Maio” (1971) e “Venham mais Cinco” (1973) são disso exemplo. Este último, aliás, o último disco gravado por Zeca antes do 25 de abril, foi gravado em Paris com José Mário Branco e ficou como um dos grandes símbolos de oposição à ditadura portuguesa.

O documentário “Mudar de Vida” (2014), da autoria de Nelson Guerreiro e Pedro Fidalgo, foi rodado ao longo de dez anos e conta a história dessa “voz singular no panorama português”. Nas próprias palavras: “Sou o Zé Mário Branco, do Porto, muito mais vivo que morto, contai com isto de mim para cantar e para o resto, continua, desde há 40 anos a denunciar e a acreditar que é possível realizar a Mudança, aquela grande mudança que faz transformar o Mundo e a Vida numa coisa melhor.

José Mário Branco foi também produtor da maior parte da discografia do fadista Camané, que em declarações à RTP esta manhã, reagiu à morte com surpresa. “Deve ter sido repentino, porque ele estava bem”, contou Camané.