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Tudo o que sempre quis saber sobre o punk em Portugal: conheça o projeto Keep it Simple, Make it Fast!

Site do projeto de investigação português debruça-se sobre a evolução do movimento punk em território nacional.

O projeto português de investigação académica Keep it Simple, Make it Fast!, que em meados do ano passado confirmou a existência de 600 bandas punk em Portugal desde 1977, compila e divulga algum do material recolhido no site www.punk.pt, onde além de textos de análise ao fenómeno podem ser consultadas imagens pouco conhecidos ou mesmo inéditas.

O estudo "tem por objetivo analisar as manifestações punk em Portugal desde o seu surgimento até à atualidade (1977-2012)" e adota uma abordagem transdisciplinar - antropológica, histórica, psicológica, comunicacional, jornalística e sociológica - para investigar o impacto do movimento em território nacional.

A intenção é compreender a sua importância "nos processos de construção identitária dos seus protagonistas", abordando todos os intervenientes no punk português (bandas, editoras, espaços). No final, o projeto pretende produzir um documentário e disponibilizar um arquivo sobre o punk em Portugal.

O site, ainda em construção e descrito como "espaço autónomo", tem o propósito de divulgar o projeto e serve também como forma de "organização, de repositório, de sistematização, de retórica de enumeração". Está dividido em várias secções e apesar de o arquivo de Bandas e Editoras se encontrar ainda vazio, há textos e imagens nas secções de Fanzines e Media e História.

Integrado no separador História pode ler-se um texto intitulado "Punk is not dead: breve enunciado", no qual se defende que "a quase totalidade das bandas punk [expressa-se] em português até meados dos anos 1990. Esta questão é igualmente relevante na atualidade, pois aproximadamente 65% das bandas se expressam em português, contrariamente ao que acontece em alguns países fora do universo anglo-saxónico".

O papel do radialista António Sérgio na entrada do punk em Portugal é salientado num texto intitulado "A rádio e a imprensa musical nos primórdios do punk em Portugal", no qual se lê que "os primeiros ecos de que algo diferente estava a surgir na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos da América, chegam ao público a partir de 1976, através das antenas da Rádio Renascença, pela voz de António Sérgio no seu programa nocturno: Rotação".

A equipa de investigação, encabeçada pela socióloga Paula Guerra e da qual fazem parte o ex-ministro Augusto Santos Silva e o sociólogo australiano Andy Bennett, defende que o espaço permite "uma (auto-reflexão) sobre práticas, processos, conceitos e teorias, colocando-se essa reflexividade ao serviço da discussão e da intervenção cívicas".

Na foto: Mata-Ratos