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The National ao vivo no Nos Primavera Sound: saiba como correu o concerto e veja alinhamento

Saiba como correu o regresso da banda de Trouble Will Find Me ao Porto.

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Não há que enganar: quando, em "Conversation 16", Matt Berninger chega ao refrão tão antecipado pela plateia e canta, prolongadamente e com convicção, "'cause I'm evil", as vozes das primeiras filas juntam-se a ele, as mãos são depositadas sobre o coração, a voz é subitamente considerada desnecessária para o domingo que há de vir. É mais um concerto da banda de Alligator (álbum infelizmente algo contornado, esta noite), mas ao contrário do que nos pareceu ter acontecido no final do ano passado, na Meo Arena, os norte-americanos estão hoje empenhados, presentes, vibrantes.  O álbum mais recente, Trouble Will Find Me , tem naturalmente honras de destaque num alinhamento de 20 canções: logo a abrir, "Don't Swallow The Cap" e "I Should Live in Salt", talvez as maiores tangentes que o quinteto já fez, são acompanhados por projeções coloridas, a condizer; mais tarde, a balada "Hard To Find" é apreciada com respeito pela multidão numerosa e a também pacata "I Need My Girl", salva de uma certa monotonia pela bateria de Bryan Devendorf, desperta emoção em muitas fãs. Ainda do disco lançado no ano passado, "Graceless", com Berninger já em farrapos, liberta todo o potencial de palco que lhe reconhecemos, e "Sea of Love" também faz o seu melhor para agitar as primeiras centenas a chegar junto ao palco principal.  Com seis álbuns no lombo, os rapazes do Ohio já têm, contudo, uma obra suficientemente extensa e variada para devolver a este festival alguma da energia que ficara contida em espetáculos ora cerebrais, ora contemplativos. Perante um público bem mais caloroso do que aquele que encontraram, no ano passado, no ex-Atântico, Berninger, Bryce e Aaron Dessner e Scott e Bryan Devendorf aproveitaram os bons ares do Primavera para deixarem as suas canções respirar. A energia que fluiu entre banda e plateia ao longo de todo o concerto - e que desaguou no caos provocado pela descida do vocalista ao público, em "Mr November" e "Terrible Love" - fez desta noite um momento especial na já longa relação dos nova-iorquinos de adoção e os fãs do Porto, cidade na qual só haviam atuado, afinal, uma vez (em 2011 no Coliseu, na altura em defesa do álbum High Violet ).  Foi, de resto, a esse álbum de 2010 que a rapaziada - Matt Berninger na habitual pele de cavalheiro destrambelhado, Bryce Dessner como guitar hero discreto & companhia - foi resgatar alguns dos melhores temas do serão: a tensa "Afraid of Everyone" e a celebratória "Bloodbuzz Ohio" juntaram-se a várias pérolas, igualmente raçudas, de Boxer ("Mistaken For Strangers", "Squalor Victoria") para concretizarem a ideia de que, ao vivo e numa noite destas, as canções dos The National são autênticos hinos para semi-adultos entoarem, sem reservas, aforismos como: "Another uninnocent, elegant fall into the unmagnificent lives of adults".  No capítulo reservado às surpresas, tivemos Annie Clark, aka St. Vincent, a dar, de lenço pela cabeça e semblante dramático, uma mãozinha a "Sorrow", ou a citação da bela e saudosa "Chicago", de Sufjan Stevens. De pequenos pormenores se faz a diferença, todavia, entre uma noite algo esquecível como a de novembro passado e um concerto como o de hoje: a vontade de juntar a voz às muitas vozes que, sem preocupações com a afinação, se juntam a "Slow Show" (com o magnífico prolongamento "I know I dreamed about you..." a percorrer com elegância a via sacra entre confissão e explosão) ou, no final especialmente descontrolado, a "Mr. November" e "Terrible Love", nasce mais do instinto do que da razão. E, neste dia 7 de junho de 2014, os The National foram um puro-sangue à solta no Parque da Cidade, alimentando entre os seguidores o sentido de comunidade que faz da música uma experiência que urge partilhar.  Desastrado, charmoso e aparentemente divertido, Matt Berninger desceu, como habitualmente, às grades e andou mesmo pelo meio do público, causando o caos nas primeiras filas e levando um espectador a exclamar, espantado: "Uma animação incrível!". Não era o que esperava dos The National? É claro que o concerto, no qual a banda foi auxiliada nos sopros por dois colaboradores habituais, também teve espaço para a liturgia do quotidiano "Fake Empire", ou para a destemidamente acústica "Vanderlyle (Crybaby Geeks)", a fechar de forma emocionalmente "violenta" (as palavras são, mais uma vez, de alguém do nosso lado) a contenda. Mas é tanto dessa fragilidade enternecedora como dos refrões irresistíveis e do apelo à libertação física das gloriosas "Mr November" ou "Abel" - canções que já são de si mesmas, tendo deixado de pertencer aos seus criadores - que um concerto desta gente se faz. Catarse, gritos e (ainda) muito amor por esta banda é o que nos ficará na memória do 12º encontro com a boa gente de Cincinnati.  ALINHAMENTO DO CONCERTO 1. Don't Swallow The Cap 2. I Should Live In Salt 3. Mistaken For Strangers 4. Sorrow (com Annie Clark, aka St Vincent) 5. Bloodbuzz Ohio 6. Sea of Love 7. Hard To Find 8. Afraid of Everyone 9. Conversation 16 10. Squalor Victoria 11. I Need My Girl 12. This Is The Last Time 13. Ada 14. Abel 15. Slow Show 16. England 17. Graceless 18. Mr November 19. Terrible Love 20. Vanderlyle (Crybaby Geeks)