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Ornatos Violeta ao vivo no Coliseu dos Recreios, Lisboa [texto + fotogaleria + alinhamento]

35 grandes canções num alinhamento que não deixou quase nada de fora - ou como um concerto desta generosidade e deste calibre é um verdadeiro luxo em tempos acabrunhados. Hoje há mais.

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Ornatos Violeta - antes do concerto

Ornatos Violeta - antes do concerto
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Ornatos Violeta - antes do concerto

Numa das muitas declarações que tivemos o gosto de recolher, durante a preparação do artigo de capa da BLITZ de outubro, houve uma frase que não foi para as bancas mas nos ficou a tilintar na memória até hoje, dia do primeiro concerto dos Ornatos Violeta no Coliseu de Lisboa: "Com os Ornatos a verdade não tira férias". Quem o disse foi um grande amigo da banda, que nos tempos anteriores ao primeiro álbum emprestava aos portuenses uma casa perto de Aveiro para as maiores tropelias. Esses tempos foram recordados esta noite - uma grande, enorme, incomensurável noite - com várias músicas inéditas, escritas nesses verdes anos, e mesmo o primeiro vocalista de sempre da banda, Ricardo Almeida ("Não sabemos onde estás, mas um grande abraço, Ricardo", disse Manel Cruz) foi lembrado na interpretação de uma canção da sua autoria ("Sacrificar"). Há humildade e generosidade neste revisitar e partilhar de um passado mais longínquo, mas há também - e voltamos à ideia inicial - uma sede de verdade muito palpável e rara. Com o Coliseu há muito esgotado, na primeira de três noites de "celebração", os Ornatos podiam ter escolhido qualquer alinhamento e encontrado a aclamação, numa partida ganha antes do apito inicial. Mas deram o pontapé de saída com "Para Nunca Mais Mentir": além da mensagem (a verdade, que nas letras de Manel Cruz tanto dói), trata-se de um dos temas menos imediatos de O Monstro Precisa de Amigos e ainda um dos que mais esforço de memória exige ao vocalista, com a sua centopeia de verbos no infinitivo. Começaram pelo mais difícil, então, e quase com uma declaração de intenções, ou assim escolhemos ver - os Ornatos Violeta, em 2012 como na hora do adeus, há dez anos, não vieram para mentir (dando uns concertos funcionais e sem coração, como se podia temer), vieram para celebrar a sua música, a sua amizade e o algo mais, o algo muito maior que da mistura de tudo isso nasce. Podem ter começado pelo mais complicado, mas nada há a temer por parte de quem ainda vai a um dos próximos cinco concertos (dois em Lisboa, três no Porto): visivelmente felizes e emocionados, Manel Cruz, Peixe, Nuno Prata, Elísio Donas e Kinörm deram ao povo tudo o que o povo quis ouvir. Por um coliseu a fervilhar passaram os êxitos de O Monstro Precisa de Amigos (e não deixa de ser curioso ver canções como "Chaga", "Dia Mau", "Ouvi Dizer", "O.M.E.M.", "Pára de Olhar Para Mim" ou "Nuvem", mais carregada do que nunca, cumprirem, depois de finda a banda, o enorme potencial que já tinham ao nascer, em 1999); a vertigem narrativa, ginasticada e sexual de Cão!; inéditos com fartura, não só dos incluídos no disco de raridades lançado no ano passado como pérolas desconhecidas e anteriores ao primeiro disco; praticamente todas as canções-miniatura que os fãs mais apaixonados se pelam por ouvir (num dos três encores, Manel Cruz surgiu sozinho com guitarra acústica para tocar a inesquecível "Raquel", mas foi o coro do público em perfeito delírio que acabou por se ouvir do início ao fim de uma das músicas "mascote" de Cão!). Anunciada há cerca de um ano, esta reunião dos Ornatos foi recebida com tanto entusiasmo pelos admiradores como por algum ceticismo por parte de outros observadores, mas ninguém que tenha estado esta noite no Coliseu poderá negar a alegria com que a banda tocou, os olhares e sorrisos de pura satisfação com que os portuenses se entregavam às canções, as canções que, de tanto e tão intensamente que foram ouvidas por nós, já não são canções, são quadros de outras vidas, polaroids de um tempo em que a palavra "futuro" só tinha uma conotação positiva, ou então aquilo que não chegámos a viver mas ao menos conhecemos bem das letras, cantadas em coro eufórico, de Manel Cruz. A energia entre a banda e, depois, entre esta e o público era de tal forma arrebatadora que, a certa altura, uma fã doutorada a nosso lado exclamou, emocionada: "Eles estão a fazer amor uns com os outros!". E, nem de propósito, foi nessa altura que os Ornatos chamaram a palco não uma estrelita do momento, não um convidado ilustre, mas um "cavalheiro" que, na plateia, pedia com um singelo cartaz para tocar com a banda a canção "Deixa Morrer". O seu desejo foi cumprido (para estupefação do próprio João, um sorriso do tamanho do mundo com uma t-shirt dos Beatles vestida) e a canção, uma das mais belas de Monstro, seguiu com dedicatória especial para a sortuda Beatriz. Que a banda tenha deixado o admirador brilhar desta forma diz o mesmo sobre estes cinco rapazes que o facto de a equipa que acompanhou os Ornatos no Coliseu (e em Coura) seja praticamente a mesma que com eles trabalhava antes do fim: tal como disse Henrique Amaro, no mesmo artigo da BLITZ 76, se há quem ainda corresponda à ideia romântica de banda, podem muito bem ser eles. Os anos passaram por todos, os (bons) projetos e discos sucedem-se (ainda este ano Peixe lançou o excelente Apneia, em tudo diferente do trabalho violeta), mas os Ornatos são como antigos amantes que, de regresso aos braços um do outro, descobrem que tudo faz ainda sentido. Seria de temer, por exemplo, que Manel Cruz já não encarnasse com a mesma convicção as personagens de Cão!, mas "1 Beijo = 1000" (um cartoon em forma de canção), as magníficas "Dama do Sinal" e "Mata-me Outra Vez" ou as alucinantes "Débil Mental" (cantada em toda a sua plenitude libidinosa por uma criança de não mais de 8 anos), "Homens de Princípios" ou "Um Crime À Minha Porta" soaram tão contagiantes como sempre, portentos de adrenalina e humor, torrentes imparáveis de palavras que, na hora da verdade, ainda estão cá todas dentro, à espera do convite para saírem à rua. Mesmo nas canções que o público não conhecia e não podia conhecer, como "Gato com Dois Chifres" ou "Os Sítios onde Eu o Esqueço", sentiu-se desejo de acompanhar e encorajar a banda, num caricato regresso a esses tempos meio cabaré, com harmónica e tudo, meio Pantera Cor-de-Rosa; nas canções por demais conhecidas, o Coliseu estremeceu sob o frenesim dos pés em festa e, como aconteceu em "Dia Mau", a loucura generalizada apanhou os músicos de surpresa, obrigando-os a parar para, com gratidão, contemplar a tempestade ali gerada. Num concerto sem quebras de ritmo, temos dificuldade em escolher o momento mais intenso ou memorável, mas lembramos-nos que, durante "Deixa Morrer", a tal canção em que o fã João tocou a guitarra acústica de Manel Cruz, a primeira vez que o verso "E aparece assim, acendeu-se a luz, estão vivos outra vez" foi entoado o Coliseu se uniu num bruaá sem fim, de emoção, de saudade, de agradecimento. Banhados por uma luz dourada, os Ornatos sentiram - e o arrepio que percorreu a sala é como o entusiasmo de músicos e fãs: àquela escala, não se pode fingir. Foi há cerca de um ano que soubemos que os Ornatos se iam reunir para alguns concertos de celebração: face ao que vimos esta noite, falar em celebração é dizer pouco. Falemos antes, e para variar, de vida. ORNATOS VIOLETA NO COLISEU DE LISBOA - ALINHAMENTO: 1. Para Nunca Mais Mentir 2. A Dama do Sinal 3. Tanque 4. Pára de Olhar para Mim 5. Um Crime à Minha Porta 6. Mata-me Outra Vez 7. Dia Mau 8. Os Sítios onde eu o Esqueço (inédito) 9. Gato com Dois Chifres (inédito) 10. Há-de Encarnar 11. Chaga 12. Sacrificar (inédito) 13. Coisas 14. Débil Mental 15. Bigamia 16. 1 Beijo = 1000 17. Nuvem 18. Deixa Morrer 19. Notícias do Fundo 20. Ouvi Dizer 21. Capitão Romance ENCORE 22. O.M.E.M. 23. Punk Moda Funk 24. O Amor É Isto 25. Homens de Princípios 26. A Metros de Si (inédito) 27. Tempo de Nascer ENCORE 2 28. Raquel 29. Marta 30. Chuva 31. Devagar 32. Como Afundar ENCORE 3 33. Bebe e Cai (inédito) 34. Pára-me Agora 35. Dias de Fé

("Fim da Canção" não foi tocada) Texto de: Lia Pereira Fotos de: Rita Carmo/Espanta Espíritos