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Ornatos Violeta ao vivo no Coliseu do Porto: leia a reportagem e veja as fotos do último concerto

Emoções fortes na última noite da digressão de regresso dos Ornatos Violeta: o Porto abraçou-os com fervor. "Sexo, suor e lágrimas", nas palavras da banda.

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Ornatos Violeta no Coliseu do Porto

Esgotar sete coliseus de seguida não é para todos. E o facto é tão mais impressionante quando se trata de uma banda que esteve tanto tempo ausente - mas aparentemente nunca nos corações - de todo o aparato da indústria musical. Durante dez anos anos os Ornatos Violeta não mexeram um dedo sequer, mas de um momento para o outro, sem nenhum disco novo, convenceram vários milhares de pessoas a comprar um bilhete para o paraíso. É obra. Se alguém pensasse que os Ornatos Violeta são um namoro geracional, as dezenas de jovens de 17 e 18 anos - ou até menos - que antes das seis da tarde já se sentavam à porta do Coliseu a sonhar com a primeira fila provaram o contrário. Como é que a música dos Ornatos saltou dez anos para chegar aos corações destes novos fãs é uma pergunta que terá de ficar sem resposta. Quando os Ornatos Violeta finalmente entram em palco para o último concerto desta aventura, Manel Cruz solta um entusiasmado "Bute nessa". "Parece que hoje é o último", continuou. Arranca - e bem - com a bela canção-poema "Para Nunca Mais Mentir". "Para ver / Para dar / Para estar / Para ter / Para ir / Pra ouvir / Pra sorrir e entrar" soou a convite. E depois foi ver os Ornatos Violeta abrirem aquele que parece um enorme repertório para quem tem apenas dois discos, Cão e O Monstro Precisa de Amigos. O quinteto portuense foi tornando verdade todos os desejos pessoais - e mais algum - do público que marcou presença no Coliseu. "A Dama do Sinal", "Tanque", "Pára de Olhar Para Mim", "Mata-me Outra Vez" e os primeiros dois inéditos: "Os Sítios Onde Eu o Esqueço" (uma canção que Manel Cruz se lembra de tocar na Nazaré, há muito tempo, em tempos de campismo, em tempos de ter uma meia num pé e nenhuma no outro) e a sombria e misteriosa "Gato Com Dois Chifres". O concerto avança à mesma velocidade do entusiasmo. Olhando para um lado e para o outro, não falta quem, canção após canção, carregue todas as palavras de Manel Cruz nos lábios, numa celebração que tem qualquer coisa de expurgação, de último namoro, de despedida, de último beijo. De repente chega "Chaga" e não há cadeiras que o valham, a compostura fica para outra ocasião. "Adoro caras e adoro rabos mas agora vou começar a adorar braços, também", admite Manel Cruz ao ver tanta gente à sua frente. Depois de "Chaga", o primeiro momento de grande catarse do concerto, mais um inédito: "Sacrificar", escrita pelo primeiro vocalista dos Ornatos Violeta, Ricardo Almeida, a quem Manel Cruz agradece apesar de desconhecer o seu paradeiro. No alinhamento também coube "Coisas". Mesmo antes de Manel Cruz avisar: "E agora vamos ao Cão". "Débil Mental" injectou mais funk do que nunca até àquele momento. Antes de "1 Beijo = 1000", Manel Cruz fez uma de muitas confissões: "gostava de dizer que nos fizeram muito felizes e que foram vocês que nos trouxeram aqui". "Nuvem" chega antes de "Deixa Morrer" (e foi bonito ouvir "mas deixa o nosso amor morrer" cantado a plenos pulmões só pelo publico perto do fim, logo seguido de uma explosão de confétis e abraços). "Notícias do Fundo" não chegou sem que, ao ver tanta gente, Manel Cruz tivesse alertado: "nunca esqueçam do poder das pessoas". Por piada, Manel Cruz anuncia uma canção inédita mas o que se ouve são os primeiros segundos de "Ouvi Dizer", que terminou, em belíssimo uníssono, com o poema que entrou já para a memória colectiva da música portuguesa: "a cidade está deserta / e alguém escreveu o teu nome em toda a parte / nas casas, nos carros, nas pontes, nas ruas / em todo o lado essa palavra / repetida ao expoente da loucura / ora amarga, ora doce / Pra nos lembrar que o amor é uma doença / quando nele julgamos ver a nossa cura". Numa sequência imprópria para cardíacos, antes de saírem pela primeira vez do palco, os Ornatos Violeta trouxeram a palco uma interpretação inspirada de "Capitão Romance" quando o relógio marcava já mais de uma hora e meia de concerto. Com o primeiro encore chega "O.M.E.M." e mais uma das frases que fizeram história nos Ornatos: "dá-me a tua mão / e vamos ser alguém / a vida é feita para nós" e o Coliseu treme. "Punk Moda Funk", com aquele tão famoso apelo à vontade de urinar, arranca mais algumas reações de entusiasmo exacerbado. Não desata tudo aos beijos e aos amassos por uma questão de ordem social. "O Amor é Isto" vem a seguir, "Homens de Princípios" logo depois, e tempo para mais uma canção inédita: "A Metros de Si", ligeiramente jazzística. A melódica dá cor, a guitarra dá-lhe veludo, a bateria adensa o mistério. O fim do primeiro encore faz-se ao som de "Tempo de Nascer" mas, talvez por isso, ninguém parece querer abandonar o local do parto. Mais um encore em dia de "coisas bonitas" (nas palavras de Manel Cruz). Primeiro veio "Raquel", dedicada ao casal que se conheceu ao som dos Ornatos Violeta e acabou por dar esse nome à filha que tiveram juntos, "Marta", só na voz de Manel Cruz e no piano de Elísio Donas, "Chuva", "Devagar", cantada a meias com uma jovem fã que subiu a palco, e "Como Afundar". Por estas alturas já Nuno Prata está num banho de lágrimas, de joelhos, enquanto toca baixo. Manel Cruz ajoelha-se e abraça-o. Kinörm faz o mesmo, antes de se lançar ao público em modo crowdsurfing. Reina o caos. Manel Cruz regressa para novo encore com um palavrão na ponta da língua: "na minha terra diz-se: foda-se". A compostura já nem é tema de conversa. Acontece tudo muito rápido: Briona, que chegou a cantar nos Ornatos Violeta, junta-se à banda em palco para uma canção, "Pára-me Agora" arrasta uma pequena a multidão para cima do palco e, depois, "Dias de Fé" chega com uma fúria punk que não tem paralelo no repertório da banda portuense. Entre canções, Manel Cruz lança para o ar mais uma frase de ordem em jeito de despedida: "O amor nunca acaba", disse, evidentemente emocionado. A maior surpresa havia de chegar do outro lado de Atlântico: com toda a "equipa" da digressão em palco, os Ornatos Violeta entregaram-se a uma versão devidamente açucarada - no sotaque - de "Emoções", de Roberto Carlos, no rigoroso cumprimento de uma espécie de promessa lançada no concerto de regresso embrionário no último Festival Paredes de Coura ("Quando eu estou aqui. Eu vivo esse momento lindo). "Até sempre", "não há mais palavras", "vivam as pessoas", "estamos aqui" foram apenas algumas das "últimas palavras" de Manel Cruz antes de as cortinas fecharem definitivamente. A última canção que se ouviu nesta noite inesquecível haveria de ser "Fim da Canção", escolhida a dedo para o prometido final da biografia dos Ornatos Violeta numa noite que durou mais de três horas. Foi como estar em família na sala de estar: Manel Cruz ia reconhecendo caras na plateia e dizendo os nomes, rindo, partilhando cumplicidades. Foi como estar entre amigos, numa chuva de abraços e sentimentos. "Sexo, suor e lágrimas", disse Peixe. Despedida mais bonita não podia haver. Texto: André Gomes Fotos: Hugo Sousa