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Jafumega ao vivo no Coliseu do Porto: leia aqui a reportagem e veja as fotos

Histórica banda do rock português dos anos 80 matou saudades na sala mais emblemática da Invicta.

Jafumega no Coliseu do Porto
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Jafumega no Coliseu do Porto

É costume dizer-se que toda a gente tem direito a uma segunda oportunidade. Mesmo que isso aconteça 30 anos depois. Mesmo que tudo tenha mudado. Os Jafumega concordam com essa teoria e por isso marcaram um encontro com a cidade que os viu nascer - e logo na sala de espectáculos mais emblemática do Porto. E apesar de o Coliseu não ter enchido na sua totalidade, a mensagem foi clara: há espaço na memória colectiva nacional para celebrar a discografia dos Jafumega e toda aquela música portuguesa que influenciou e foi influenciada pela banda portuense. Mesmo 30 anos depois, mesmo sem um novo disco, mesmo num país praticamente irreconhecível. Mesmo. O Coliseu não esgotou mas isso não impediu que se sentisse no ar a expectativa acumulada durante anos. "Dá-me Lume", a terceira canção do alinhamento, foi a primeira a aquecer realmente os ânimos, lembrando que os Jafumega foram os maiores amantes do funk daquela época que muitos têm como a de ouro da música portuguesa. Foi aí que alguns mais destemidos (era na verdade apenas uma pessoa, mas lançou o convite para outros que se seguiram) encontraram a coragem para se levantar das cadeiras "castradoras" do Coliseu. Depois com "Kasbah" foram mais uns quantos. E depois já não estávamos mais em 2013: a máquina do tempo levou toda a gente para os anos 1980. Diretamente e sem paragens. "Sei Que Pareço Um Ladrão" colocou em destaque aquela voz que as ondas radiofónicas receberam de braços abertos a certa altura. Isso e os metais. Isso e o pára-arranca quase reggae. Isso e uma mensagem que parece ser tão atual quanto o seria na altura em que foi escrita. "Infelizmente, passados 30 anos, alguns dos nossos textos continuam actuais. É o caso da próxima canção: "Só Sai a Ti (Society)". Quem o disse foi o próprio Luís Portugal, antes de falar em ministros e outros assuntos na ordem do dia. Pouco depois surgia o primeiro dos convidados especiais da noite: um Jorge Palma de chapéu na cabeça numa canção dedicada aos homens da rádio que apoiaram a música portuguesa ao longo destes anos ("Homem da Rádio"). Mas porque os Jafumega não foram apenas funk e outros assuntos gingantes, Luís Portugal fez questão de lembrar que o alinhamento do concerto havia já passado por António Aleixo e que seguia logo depois com as palavras de Florbela Espanca, num momento que tratou de sossegar os espíritos. E porque a palavra dos Jafumega não foi sempre dita em português (o primeiro disco, Estamos Aí, editado antes do boom do rock português, era cantado totalmente em inglês), os Jáfumega foram ao momento em que a sua história começou a ser escrita para resgatar duas canções desse disco - uma delas foi "Keep Your Girl". Apresentado ironicamente como um rapaz promissor, Pedro Abrunhosa subiu a palco para lembrar que também ele foi um dos maiores amantes do soul e funk em Potugal. "Nó cego", logo a seguir, provocou mais uma pequena convulsão entre os presentes - houve até quem decidisse mesmo ir até à primeira fila para um pezinho de dança. Mal sabiam aquelas almas que esta era a primeira canção de uma sequência imparável: depois dessa veio "Ribeira" (aquela da ponte, da passagem e da outra margem) e logo a seguir a incontornável "Latin' América" que funcionou como mola para aqueles que até ali resistiram sentados. Quem nunca entoou "Do Paraguai a Porto Rico, Salvador às Honduras, da Bolívia à Guatemala, Argentina ao Chile, Latin' América", que atire a primeira pedra. E depois disso os Jafumega só podiam despedir-se e sair do palco. Mas não durante muito tempo. No encore, Luís Portugal pergunta se alguém quer continuar a dançar. "Romaria" pôs na boca de todos as palavras "Toca a banda no coreto, que vontade de dançar". E depois percebe-se: a banda são os Jafumega, o coreto é o Coliseu, transformado em salão de baile noite fora. A noite é de emoções, de sentimentos. Os agradecimentos vão sendo mais que muitos. A banda que está em cima do palco é uma banda notoriamente agradecida pela oportunidade de juntar-se e reviver os tempos em que os Jafumega se tornaram numa das mais importantes bandas da música portuguesa. Mas também foi momento de mensagens: a crise andou por lá, lembrou-se os jovens obrigados a emigrar e até se deixou um pedido aos futuros autarcas da cidade do Porto para que a cultura não seja menosprezada como tem sido até agora. Durante "Assim não", aproveitando o funk bem calibrado pelos metais, a incontornável Capicua entrou em palco para, ao lado do rapper DEAU, mostrar classe - nas rimas, na atitude - naquele que foi certamente um dos melhores momentos musicais da noite. No segundo encore, os Jafumega atiraram-se de novo a "Ribeira" para fechar a noite com chave de ouro. Parece que recordar é mesmo viver. Texto: André Gomes Fotos: Hugo Sousa