Blitz

Uma parceria com o jornal EXPRESSO

siga-nos

Perfil

Notícias

Hino "Zero Desperdício", patrocinado pela Presidência da República, causa polémica no Facebook [veja o vídeo aqui]

A música é de João Gil, a letra de Tim. Cantam Jorge Palma, João Pedro Pais, Ana Bacalhau, Boss AC, Fernando Tordo e Sérgio Godinho, entre outros.

O hino "Zero Desperdício", patrocinado pela Presidência da República, está a causar polémica no Facebook, com vários jornalistas e comentadores a mostrarem-se contra a letra da canção, escrita por Tim, vocalista dos Xutos & Pontapés (a música é de João Gil).

Antes de ler as críticas de José Vítor Malheiros, colunista do jornal Público, e de Daniel Oliveira (Expresso e Eixo do Mal) no Facebook, veja abaixo o vídeo do hino "Zero Desperdício", interpretada por nomes tão variados quanto Jorge Palma, Sérgio Godinho, Ana Bacalhau (Deolinda), Fernando Tordo, Boss AC, Rita Guerra, Roberto Leal ou Sara Tavares.

 

Partindo da ideia de que o hino defende ideias de "caridade" normalmente associadas a alguns setores da direita, José Vítor Malheiros critica a associação de músicos como Sérgio Godinho, Jorge Palma ou Vitorino. No Facebook, o colunista do Público escreveu: "Estou em estado de choque. Quando li a letra tive a certeza de que era uma coisa satírica e que havia pessoas que não estavam a perceber a ideia".

O comentador continua depois: "Depois vi e ouvi. Tenho de recomendar a todos que ouçam, mas dá-me vontade de dizer, com o António Nobre, 'tende cuidado, não vos faça mal, que é a canção mais triste que há em Portugal'. Isto é a cultura? Isto são os artistas? Estes são os desempoeirados, independentes, irreverentes e progressistas músicos portugueses? É uma iniciativa patrocinada pela Presidência da República e, só isso, devia pôr as pessoas de pé atrás. Quem terá sido o génio da propaganda que congeminou isto? Que tristeza imensa".

Comentando o discurso de Malheiros, Daniel Oliveira acrescenta: "Assino por abaixo, como é evidente, tudo o que escreveste. Atacar o desperdício e defender uma distribuição mais justa não é dar o que não me serve ao almoço e ao jantar. Que o faça, perante um caso, é uma coisa. Que uma associação, como o Banco Alimentar contra a Fome, apele ao meu contributo - que não são os meus restos - é outra. Que dar os restos seja apresentado como um gesto de solidariedade é bem diferente".

O colunista do Expresso acrescenta: "Mas o que me deixa atónito é que pessoas como o Sérgio Godinho, o Camané ou o Jorge Palma, que admiro e tenho como pessoas de uma consciência social sólida, emprestem a sua voz a esta asquerosa letra, que faz um retrato humilhante dos que hoje vivem mal. E porque não 'Todos sujinhos e tão magrinhos a linda graça dos pobrezinhos/De porta em porta sempre rotinhos tão delicados os pobrezinhos/Não façam mal aos pobrezinhos//Dêem-lhes pão e uns tostõezinhos /Os pobrezinhos tão engraçados pedem esmolinha com mil cuidados'".

Esta não é a primeira vez que músicos nacionais se associam a canções de beneficência: recorde abaixo "Abraço a Moçambique", tema de 1985 que se propunha juntar verbas para o apoio no combate à fome no país africano. Entre outros, participaram nomes como Paco Bandeira, Tonicha, José Cid, Sérgio Godinho, Jorge Palma, Trovante e Lena D'Água. Recorde o vídeo abaixo.