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Rita Carmo

Três luzes acenderam-se ao mesmo tempo e Noiserv escreveu um livro sobre a forma como vemos os outros

O músico português Noiserv apresentou esta semana o livro “três-vezes-dez-elevado-a-oito-metros-por-segundo”. No próximo ano, promete regressar aos palcos

O músico português Noiserv (David Santos) apresentou esta terça-feira, em Lisboa, o primeiro livro, “três-vezes-dez-elevado-a-oito-metros-por-segundo”, cuja narrativa parte de três luzes que se acenderam ao mesmo tempo em três janelas diferentes e que deverá ganhar uma versão audiolivro.

Como tantas outras coisas, escrever um livro era algo que ‘martelava’ os pensamentos de David Santos. “Sempre tive um grande fascínio com realidades que tu próprio inventes. A música, que foi o que fui conseguindo fazer, escrever um livro ou fazer uma curta-metragem são coisas que vão estando sempre na minha cabeça, achando eu que se calhar não tenho as aptidões para conseguir fazê-lo”, contou em declarações à Lusa. O livro é “apenas mais uma maneira” que o músico encontrou de expressar a maneira de lidar com o que o rodeia.

Quando “há quatro/cinco anos” começou a escrever as palavras que, entretanto, se transformaram num livro, David Santos “não fazia ideia do que ia acontecer”. “Mas saiu-me aquela ideia de três luzes que se acenderam ao mesmo tempo em três janelas diferentes, e depois tudo aconteceu a partir daí”, recordou.

O músico partilhou que “a própria metáfora do livro foi surgindo e o título só aparece mais tarde”: “quando eu percebo que o conto está a falar de nos vermos uns aos outros e de como é que nos podemos ver e de como é que às vezes não nos vemos, mesmo estando lá”. “O que nos permite ver o outro é a luz, e a velocidade com que os outros chegam a nós é a velocidade a que a luz se mexe para nós”, disse. A velocidade de propagação da luz, por extenso, é “três-vezes-dez-elevado-a-oito-metros-por-segundo”.

Por não ter a certeza do tipo de texto que era, passou “um período muito grande sem lhe mexer”. Por ser uma história pequena, “quase como um conto”, ponderou acompanhá-la de ilustrações, mas considerou que isso “poderia condicionar o leitor”, ao fornecer imagens de personagens e locais que podem ter muitas características diferentes, dependendo da imaginação de cada um. E esta é uma história “que cria muitas imagens na cabeça”. David Santos considera que se “conseguir sugerir realidades às pessoas, ou que as pessoas criativamente vão para o lugar que sentem com o que estão a ler ou a ouvir, já fez sentido”.

“Gostava que as pessoas tivessem oportunidade de ler [o livro] e de perceber os paralelismos que estão ali feitos com a sociedade que nós temos, com as pessoas, connosco próprios”, partilhou. A maneira como o texto é apresentado – o formato e design do livro – foi pensada com André Santos, do Estaminé Studio, “que tem um trabalho muito grande com recortes”. “Desafiei-o para pensarmos como poderíamos fazer isto e foi a partir desse momento, em que comecei a perceber uma nova dinâmica para edição física do livro, que voltei a pegar no texto e a ver o que podia melhorar”.

Depois da edição física do livro, em edição de autor, com o apoio do programa Garantir Cultura, David Santos tem planos para um audiolivro: “é outra versão do que pode ser o conto, uma versão contada, que podia também dar um espetáculo”. “Ainda pode haver outras vidas deste trabalho”, que foi apresentando esta terça-feira no Teatro Maria Matos, em Lisboa, numa sessão que contou com a participação da atriz Isabel Abreu.

Até ao final do ano, o músico irá também apresentar o livro em algumas lojas FNAC e para o ano regressa aos palcos para apresentar ao vivo o álbum “Uma palavra começada por N”, editado no ano passado.