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Gavilán Rayna Russom sai dos LCD Soundsystem

A banda de James Murphy regressou esta semana aos palcos, mas Russom já não faz parte do grupo. "Os LCD são boas pessoas e o James é um grande artista, mas estou interessada em coisas diferentes. Não tinha percebido como me estavam a rotular num mundo que não é muito hospitaleiro em relação a quem eu sou"

Os LCD Soudsystem voltaram esta semana aos palcos, para uma residência de 20 datas numa sala de Brooklyn, Nova Iorque, que se estenderá até 21 de dezembro. Mas Gavilán Rayna Russom, que tocava (teclas e outros instrumentos) com a banda de James Murphy desde 2008, não fará parte deste regresso, tendo anunciado a sua saída do grupo.

Gavilán Rayna Russom tocou no álbum "This Is Happening", de 2010, e nos concertos de "despedida" que se seguiram, assim como na reunião de 2015 e na digressão de 2018. Porém, ao ser convidada por James Murphy para os espetáculos deste ano, declinou a oferta e decidiu sair da banda.

Nos últimos anos, Gavilán Rayna Russom revelou ser uma mulher transgénero; lançou um álbum a solo, de título "The Envoy", e criou a sua própria editora, a Voluminous Arts, que se dedica à "arte que desafia as fronteiras" e à música "que não se baseia em géneros sexuais".

Segundo a pitchfork, a artista teve também um esgotamento e esteve gravemente doente com covid. "Não quis ir ao hospital porque o meu hospital era o de Queens, em Nova Iorque, e nessa altura havia camiões frigoríficos com corpos à porta. Não havia camas... ir ao hospital parecia-me pior do que morrer no sofá", explicou, contando que, na sequência da infeção, sofre de sintomas como enxaquecas e desorientação, o que a leva a querer tocar menos ao vivo.

Ao mesmo site, Gavilán Rayna Russom conta que começou a trabalhar com a DFA Records, a editora de James Murphy, por saber reparar sintetizadores antigos. A multi instrumentista juntou-se à banda no final de 2008, quando os LCD Soundsystem se encontravam a gravar o álbum "This Is Happening". "A ideia era que fosse o último álbum e a última digressão, por isso já era algo provisório", diz. "Não me apercebi da forma como a experiência iria ditar a forma como o público ia passar a olhar para a minha identidade criativa."

"A DFA e os LCD são boas pessoas e o James é um grande artista, mas criativamente estou interessada em coisas diferentes. Senti que estava sempre a negociar. Não tinha percebido como me estavam a rotular num mundo que não é muito hospitaleiro em relação a quem eu sou e ao que crio", acrescenta.

Gavilán Rayna Russom conta que, nos seus espetáculos como DJ, os promotores queriam que passasse apenas música que soasse a LCD Soundsystem. Quando a banda se reuniu, em 2015, tentou encontrar o seu lugar na mesma, "mas percebi que a situação só tinha piorado".

"Quando me convidaram para [tocar este ano], ponderei aceitar, mas acabei por perceber que não seria capaz. O meu trabalho cresceu de tal forma que não posso pô-lo em pausa durante dois anos para ir em digressão com os LCD", justifica, garantindo que a separação é "amigável. Não tem nada a ver com pessoas ou personalidades. Quando o James me convidou para fazer uns concertos, fomos tomar café e disse-lhe que não podia, mas que ficava muito grata."

"O James sempre me apoiou, a mim e ao meu trabalho. Acho que sempre foi meu fã. Fico-lhe muito agradecida por isso, mas também sei que eu trouxe muito à banda, em termos de escrita de canções e presença em palco", acredita.