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Marilyn Manson

A grande investigação sobre a vida de Marilyn Manson. “Ele disse ao mundo quem era e ninguém tentou pará-lo”

A revista “Rolling Stone” publicou uma investigação conduzida ao longo de 9 meses, com o testemunho de 55 pessoas. Marilyn Manson é acusado de violência física e emocional, tortura e violação. As alegadas vítimas e testemunhas explicam que o músico se servia da fama e da confusão entre 'persona' artística e vida real para continuar a perpetrar os seus atos

A revista norte-americana "Rolling Stone" publicou um longo artigo sobre os casos de violência física, psicológica e sexual de que Marilyn Manson vem sendo acusado por numerosas mulheres. No decurso desta investigação, a publicação teve acesso aos documentos apresentados nos casos judiciais e entrevistou 55 pessoas, entre alegadas vítimas e antigos colaboradores e amigos do músico, alguns dos quais falaram sob anonimato.

A existência de um quarto "de castigo", à prova de som, onde Brian Warner, verdadeiro nome de Marilyn Manson, é acusado de fechar as namoradas que "se portavam mal", é um dos temas em destaque no artigo, assim como a mentalidade "de culto" que o músico utilizaria para seduzir e posteriormente controlar as mulheres com quem se envolvia. A infância marcada por agressões à mãe; os vídeos sexuais que filmaria com groupies e mostrava aos amigos e as ameaças de morte que fez a Craig Marks, editor da revista "Spin", por ter posto Shirley Manson, dos Garbage, na capa da sua sua publicação, são também contados em pormenor.

A "Rolling Stone" escreve ainda que, em 1995, a editora de Marilyn Manson, a Interscope Records, o impediu de incluir no EP "Smells Like Children" duas faixas nas quais se ouvia o motorista de digressão da banda, Tony Wiggins, aparentemente a chicotear uma fã acorrentada e também uma mulher a descrever como molestara uma criança de 6 anos.

O apreço de Marilyn Manson por objetos da era nazi (teria em casa uma botija — vazia — do gás usado pelos nazis para matar judeus nos campos de concentração), a forma como controlaria os associados através da droga que lhes fornecia e o facto de impedir algumas namoradas de se alimentarem são outros tópicos de um artigo que conta com declarações de algumas das mulheres que testemunharam contra Marilyn Manson. Uma delas, a atriz Esmé Bianco, explica como, no caso de Marilyn Manson, persona artística e vida real sempre se confundiram. "Em parte, foi por isso que ele se safou durante tanto tempo: porque as vítimas tinham vergonha de só perceberem o que se estava a passar até ser demasiado tarde. Ele disse ao mundo quem era e ninguém tentou pará-lo."

Através dos seus advogados, Marilyn Manson continua a negar todas as acusações de que é alvo.