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Britt Adams@De Roma

O fogo e a carícia de Gisela João. De volta aos palcos, de volta à vida

Na última semana, Gisela João fez uma breve digressão pela Europa, dando quatro concertos que servem de preparação para os espetáculos nos coliseus de Lisboa e Porto, em novembro. A BLITZ assistiu à última data, em Copenhaga, e pôde testemunhar como o charme e o talento da minhota conquistaram os dinamarqueses

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

“Não esperava esta intensidade.” A confissão surge, em português, no final do concerto que Gisela João deu em Copenhaga, na Dinamarca, no passado domingo. As palavras escapam a Francisco, um jovem de 23 anos que trocou Lisboa pela capital dinamarquesa para estudar e-business, e que nesta noite já outonal se encontra a colaborar com a promotora Alice, responsável por levar a artista de Barcelos à Musikhuset (traduzindo literalmente, Casa da Música). Edifício construído no final do século XVIII, este será o cenário de um espetáculo simultaneamente intimista e poderoso, como já vem sendo apanágio de Gisela João, que no início deste ano lançou o seu terceiro álbum. Denso e de uma elegância por vezes soturna, “AuRora” não teve, devido à pandemia, a mesma sorte dos seus 'irmãos' mais velhos: “Gisela João”, a aplaudida estreia de 2003, e “Nua”, lançado três anos mais tarde. Com os concertos praticamente parados durante o primeiro semestre de 2021, o disco coproduzido pelo norte-americano Michael League, dos Snarky Puppy, não teve oportunidade de se fazer à estrada, pelo menos não ao ritmo que era habitual antes de as restrições de viagem entrarem no nosso quotidiano. Esta pequena tournée pela Bélgica e Dinamarca marca, todos o esperam, o regresso à normalidade de acordar antes das 3h da manhã — ou de nem sequer dormir — para estar no aeroporto a tempo de tentar encaixar num avião toda uma equipa e suas bagagens “fora de formato”: instrumentos acústicos que não se podem partir, caixas de luzes e muita vontade de voltar a uma vida em que felicidade e sacrifício andam de mãos dadas. “Já tinha saudades de ter saudades de casa”, admite Ricardo Parreira, que na banda de Gisela João toma conta, há quase dez anos, da guitarra portuguesa. No lusco-fusco de domingo, porém, todas as energias estão concentradas no palco improvisado da Musikhuset, uma sala que se encontra a ser renovada e que, nos próximos meses, se propõe a receber espetáculos de todos os géneros musicais, da eletrónica às canções infantis. Hoje, calhou-lhes o género “Gisela João”.

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