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Rita Carmo

Roberta Medina: “Há 60 mil pessoas que quando entrarem no Rock in Rio vão ter estado três anos com o bilhete na mão”

“Como é que, de repente, dizes ‘mudei de ideias’? A nossa obrigação era cumprir o sonho dessas pessoas”. Roberta Medina, vice-presidente do Rock in Rio, defende a manutenção do cartaz para 2022

Roberta Medina defendeu a manutenção em 2022 do cartaz do Rock in Rio-Lisboa, que se manteve praticamente inalterado desde que foi anunciada a edição de 2020, entretanto adiada duas vezes devido à pandemia de covid-19.

“Há 60 mil pessoas que quando entrarem aqui em junho vão ter estado três anos com o seu bilhete na mão. Como é que, de repente, dizes ‘mudei de ideias’?”, disse a vice-presidente do Rock in Rio em declarações à BLITZ, “a nossa obrigação era cumprir o sonho dessas pessoas. E acho que é um cartaz delicioso na medida do Rock in Rio. Cada dia tem o seu perfil, cada dia atende a um público. Eu acho que é muito bom”.

A edição de 2022, que se realiza nos dias 18, 19, 25 e 26 de junho, conta com Foo Fighters, The Black Eyed Peas, Duran Duran e Post Malone como cabeças de cartaz e viu esta quinta-feira serem anunciados os primeiros nomes para o palco Galp Music Valley – Linda Martini, Ney Matogrosso, Delfins e Bárbara Tinoco são alguns deles. O único nome agendado para a edição de 2020 que não transita para 2022 é o de Camila Cabello, que será substituída por Ellie Goulding.

Sobre o período em que o festival não se pôde realizar, Roberta Medina destaca os eventos paralelos que a organização levou a cabo, como o “festival de conversas” Humanorama, a criação do movimento #CriaTe ou a inauguração do espaço Casa de Pedra, no Parque da Bela Vista, onde o festival decorre. “Fomos fazendo outras coisas que, em geral, não estavam na nossa trilha porque o festival consome, mas que são tão relevantes quanto ele”, assume, “o entretenimento era soberano antes da pandemia, durante a pandemia as conversas tornaram-se soberanas e no pós-pandemia o que é soberano é o entretenimento como palco de conversas relevantes”.

“Não dá para voltar depois desse tranco e chegar como se nada tivesse acontecido”, continua, defendendo que o mundo está a atravessar “um momento muito poderoso em termos de sociedade, em que governos, empresas, população estão todos sintonizados e conscientes de que é preciso fazer qualquer coisa, que é preciso ajustar a rota. Então, vamos acelerar nessa direção. O Rock in Rio há 36 anos que fala de um mundo melhor, é carbono neutro há 15 anos... Temos um monte de coisas feitas, mas pela primeira vez vamos assumir metas de sustentabilidade publicamente para que o mercado e o público possam acompanhar os desafios connosco. E vamos trazer para cada palco da Cidade do Rock uma conversa relevante, cada palco vai ter o seu manifesto, cada palco, dentro do que é o entretenimento, a festa, a diversão, vai ter ali nas entrelinhas o bicho de fazer pensar”.

Medina conclui também que a pandemia ajudou a expandir as potencialidades digitais do mercado. “É impossível hoje pensar no Rock in Rio só na Cidade do Rock. Quem está em casa, vive como o festival? Hoje, as possibilidades ampliaram-se. Claro que vêm novidades nessa área aí também, mas nada que substitua o live. Na verdade, é incrementar aquilo que já vinha acontecendo, que é acompanhar a televisão. Quais são as segundas telas que a gente pode agregar para fazer a experiência de casa ficar ainda melhor?”.