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54 anos depois, o "Álbum da Banana" dos Velvet Underground e Nico ainda é um tesouro. Agora na mãos dos (mais) jovens

Um elenco de luxo de artistas indie, como Matt Berninger (The National), Sharon Van Etten, St. Vincent, Andrew Bird ou Kurt Vile, junta-se ao veterano Iggy Pop para recriar o mítico álbum de estreia dos Velvet Undergound. E a magia acontece

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Passados 54 anos do lançamento do mítico “álbum da banana”, 2021 ainda vai a tempo de ser um ano Velvet Underground. A 15 de outubro, estreia-se na Apple TV “The Velvet Underground”, documentário de Todd Haynes sobre a banda de Nova Iorque. Além de contar a história do grupo, considerado um dos mais influentes do rock, o filme — recebido no Festival de Cannes, em julho, com críticas entusiastas — propõe-se a pintar um retrato da cena musical que, em meados dos anos 60, acolheu a chegada de Lou Reed, John Cale, Sterling Morrison, Moe Tucker e, claro, Nico. O documentário virá acompanhado da sua própria banda sonora e na sua feitura Todd Haynes — cujos pergaminhos rock incluem o filme “Velvet Goldmine”, que se desenrola em plena era do glam rock — contou com a supervisão dos dois músicos ainda vivos dos Velvet Underground, John Cale e Moe Tucker. Já na próxima semana chega o primeiro ‘episódio’ da nova onda de revivalismo em redor dos autores de ‘Sweet Jane’: trata-se de um disco de homenagem ao primeiro álbum do grupo, “The Velvet Undeground & Nico”, com versões de cada uma das suas 11 canções, a cargo de um elenco criteriosamente escolhido por Hal Willner, amigo de Lou Reed, falecido no ano passado, vítima de covid.

Conhecido precisamente pelos discos e espetáculos de homenagem que ajudou a organizar, Hal Willner sentia-se um ‘cuidador’ do legado de Lou Reed, e a sua ligação ao músico desaparecido em 2013 era de tal forma significativa que, quando o produtor morreu, em abril de 2020, o elenco do programa da televisão norte-americana “Saturday Night Live” o homenageou cantando em coro ‘Perfect Day’, porventura o clássico maior do seu amigo. Com versões de numerosos artistas ligados à cena indie contemporânea, “I’ll Be Your Mirror: A Tribute to the Velvet Underground and Nico” foi o último disco em que Hal Willner trabalhou e o segundo álbum póstumo que deixa, depois de, no ano passado, ter posto de pé “AngelHeaded Hipster”, uma homenagem a Marc Bolan e aos T. Rex, com o contributo de U2, Elton John, Nick Cave ou Father John Misty.

Este é um artigo do semanário Expresso. Clique AQUI para continuar a ler.