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DGS desmente North Music Festival: "Não demos quaisquer recomendações"

Esta quarta-feira, a organização do North Music Festival anunciou que o evento não se iria realizar, devido ao atraso do parecer da DGS, lamentando também que a mesma entidade tenha indicado que para entrar no recinto seria necessário teste, além de certificado. À BLITZ, DGS garante que não deu quaisquer recomendações. Organização insiste que continua a não haver legislação para festivais e eventos em pé

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Esta quarta-feira, 22 de setembro, a organização do North Music Festival anunciou que o evento, que se realizaria no Porto na próxima semana, com Ornatos Violeta, OneRepublic ou GNR, não iria acontecer. No comunicado, os responsáveis do evento afirmaram que a decisão se ficava a dever a um atraso por parte da Direção-Geral da Saúde, que não teria enviado uma resposta ao plano de contingência do evento. No mesmo comunicado, a organização lamentava ainda que a DGS tivesse afirmado que, para entrar no festival, os espectadores teriam de fazer um teste covid, mesmo que tivessem certificado digital.

À BLITZ, Diana Mendes, da comunicação da DGS, afirma que essa indicação (do teste e certificado digital) não foi dada. A mesma fonte acrescenta: "A organização do festival mandou um plano de contingência no dia 13 de setembro, para o apreciarmos. Uma semana depois, cancelam o evento, culpando a DGS. Terão provavelmente outros motivos para o terem cancelado, não é com certeza por um atraso da nossa parte", acredita.

A responsável pela comunicação da DGS lembra ainda que, esta quinta-feira, houve alterações na fase de desconfinamento (a partir de 1 de outubro, são levantados os limites de lotação para estabelecimentos, espetáculos culturais e eventos familiares) e que a organização estava a par disso.

"Cancelaram o evento, mesmo tendo sido alertados para o facto de ir haver alterações na Resolução de Conselhos de Ministros. [Sabiam] que deixaria de haver limites nas lotações e, portanto, que seria prudente aguardar, ou iriam receber um parecer mais conservador. É uma situação muito caricata", considera.

"Eles sabiam [das alterações] e até anuíram,e compreenderam perfeitamente o ponto de vista. Depois fazem um comunicado em que alegam atrasos que não existem, porque o seu pedido foi feito há uma semana. E dizem que fizemos recomendações. Não fizemos quaisquer recomendações: tê-las-íamos feito através de um parecer. Sem parecer não podem dizer que há recomendações", argumenta.

À BLITZ, Jorge Veloso, da organização do North Music Festival, insiste que, dada a ausência de parecer da DGS, não haveria "tempo para as montagens", e lamenta a ausência de indicações concretas para "festivais e grandes eventos em pé".

"O Conselho de Ministros não [decidiu] nada. Não se falou em eventos em pé e remeteram-nos para aprovação da DGS. Continuarei provavelmente até depois da data do festival sem saber quais são as regras aplicáveis aos grandes eventos. Um festival não é feito de insufláveis, não se monta em três dias", critica o promotor.

"Nós esperámos até ao limite das nossas forças. [Cancelámos] a oito dias da montagem, quando no mínimo são precisos 15 dias", afirma, insistindo ainda que a organização do North Music Festival nunca recebeu um parecer formal da DGS, mas sim indicações. "Nunca nos deram um parecer formal, por escrito, mas disseram-nos que podíamos ter 65% de lotação, uso de máscaras e obrigação de teste para toda a gente."

O North Music Festival deveria acontecer na Alfândega do Porto a 30 de setembro, 1 e 2 de outubro. Em breve a organização promete disponibilizar informação sobre o reembolso dos bilhetes.