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Uma parceria com o jornal EXPRESSO

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Theo Wargo/Getty

Uma Thurman revela que fez aborto aos 15 anos. "Ainda hoje me entristece, mas permitiu-me ser a mãe que eu queria e precisava de ser"

Como forma de mostrar o seu apoio às mulheres afetadas pela nova lei anti-aborto em vigor no Texas, a atriz Uma Thurman revelou o seu segredo "mais obscuro": uma interrupção voluntária de gravidez, realizada quando tinha apenas 15 anos, com o conhecimento dos pais

A atriz Uma Thurman escreveu um artigo no jornal "Washington Post", esperando "afastar as chamas da polémica das mulheres mais vulneráveis sobre as quais esta lei [a lei antiaborto em vigor no Texas] terá um efeito imediato."

Neste artigo, a norte-americana conta que, aos 15 anos, quando a sua carreira de atriz estava a começar, engravidou, na Europa, de um homem "muito mais velho".

Uma Thurman ponderou ter o bebé, mas acabou por dizer aos pais que a relação com o pai do mesmo não seria "viável". "Enquanto família, decidimos que a decisão correta seria interromper a gravidez. Ainda assim, fiquei de coração partido. Sentia-me tão culpada que acreditava merecer aquela dor", diz, referindo-se à dor emocional mas também à dor física sentida durante o aborto.

"[Durante a intervenção médica], estive sempre de mãos apertadas sobre o peito. Quando acabou, o médico olhou para mim e disse-me: 'tens umas mãos muito bonitas. Fazes-me lembrar a minha filha", recorda.

Para a atriz de "Kill Bill", esse "gesto de humanidade" por parte do médico foi um dos momentos de maior compaixão da sua vida. "Aos olhos dele, eu era uma pessoa, era uma filha, ainda era uma menina. Esta história é muito dolorosa e foi, até agora, o meu segredo mais obscuro."

"O aborto que fiz em adolescente foi a decisão mais difícil da minha vida. Na altura angustiou-me e ainda hoje me entristece, mas acabou por me levar a uma vida cheia de alegria e amor. Ao escolher não prosseguir com aquela gravidez precoce, pude crescer e tornar-me a mãe que queria e precisava de ser", diz Uma Thurman, que tem três filhos.

Em relação à lei antiaborto do Texas, a artista considera que a mesma representa "uma crise de direitos humanos para as mulheres americanas", prejudicando sobretudo as mulheres menos favorecidas, e lamenta que a situação coloque "cidadãos contra outros cidadãos".

Uma Thurman termina o artigo enviando o seu apoio às mulheres do Texas "e a todas as pessoas que se sintam vulneráveis e sujeitas a vergonha só por terem um útero. Tenham coragem. Vocês são lindas e fazem-me lembrar as minhas filhas."