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Zé Pedro

Rita Carmo

"O Zé Pedro era um príncipe de uma República que respeitava." A homenagem de Luís Osório ao saudoso homem dos Xutos

"Era uma estrela, uma das mais credíveis, mas vivia para os outros como se precisasse mais da luz dos outros do que os outros precisavam da sua", escreve o comunicador Luís Osório, a propósito do 65º aniversário de Zé Pedro, que se teria assinalado na semana passada

O escritor e antigo jornalista Luís Osório dedicou, na sua página de Facebook, uma longa mensagem a Zé Pedro, o guitarrista dos Xutos & Pontapés que, na semana passada, teria completado 65 anos.

"Teria feito, na semana passada, 65 anos. Dito assim parece completamente mentira. E por dois motivos. Em primeiro lugar, porque o Zé Pedro não poderia ter 65 anos – ele era um jovem e morreu jovem, não é sequer possível imaginar que tivesse uma idade parecida com essa. Em segundo lugar, por estar a falar dele no passado, como se tivesse já partido, o que não pode ser também verdade", começa Luís Osório por escrever.

"O Zé Pedro era único – apesar de ter escrito uma canção em que jurou não o ser. Quando alguém o abordava tratava sempre a pessoa como se ela fosse especial. Era uma estrela, uma das mais credíveis, mas vivia para os outros como se precisasse mais da luz dos outros do que os outros precisavam da sua. Sempre sorridente. Sempre com os olhos vivos", desenvolve, elogiando a disponibilidade e generosidade do músico que nos deixou em 2017.

"O Zé Pedro era um príncipe de uma República que respeitava. Quando alguém dizia coisas negativas, ele temperava-as. Quando alguém criticava ou insultava, ele procurava ver os dois lados. Quando alguém lhe pedia ajuda, ele fazia o que podia. Quando um miúdo lhe enviava uma demo de uma canção, ele tinha sempre tempo para a ouvir. E quando o que ouvia era muito mau encontrava sempre a palavra certa para não magoar, para não desmotivar, para não deitar para baixo", conta Luís Osório, gabando ainda a presença do artista em palco e o exemplo que deu.

"Foi um dos nossos melhores e até nas suas sombras mostrou ser excecional. Nunca escondeu que fora dependente de drogas ou de álcool. Não só não o escondeu como fez uma cruzada para jurar aos miúdos e miúdas que a droga é uma m*rda, que a droga é um inferno, o único inferno que conhecera em vida. Foi a centenas de escolas, aceitava sempre ir. Aceitava sempre com um sorriso nos lábios e nos olhos", revela o comunicador.

"Na semana passada faria 65 anos, mas não pode ser verdade. Certamente terá partido jovem para um lugar que desconhecemos. A única coisa que sabemos é que esse lugar não pode ser a morte", remata Luís Osório, cujo post pode ler, na íntegra, aqui.