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Paulo Carvalho, diretor dos Prémios Play. Carolina Deslandes

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“Há aqui uma coisa muito maior do que a Carolina Deslandes”. A reação dos Prémios Play às críticas feitas pela artista

“Como manager de artistas que fui, durante 25 anos, entendo a dor da Carolina. Mas de repente está a desfazer os prémios e isso não faz sentido. Há aqui uma coisa muito maior do que a Carolina Deslandes. Isso ela terá de entender, é um processo de maturação”, afirma à BLITZ Paulo Carvalho, diretor dos Prémios Play, reagindo às críticas que Carolina Deslandes fez aos resultados da edição de 2021 do certame

A propósito das declarações de Carolina Deslandes, que após a cerimónia dos prémios Play, para os quais teve uma nomeação, alegou que a indústria da música em Portugal é "profundamente snob com a música pop", Paulo Carvalho, diretor daqueles prémios, esclarece à BLITZ a natureza e o objetivo desta iniciativa. O ex-manager de artistas e produtor de eventos, responsável pela direção dos prémios promovidos pela Audiogest (Associação para a Gestão e Distribuição de Direitos) e GDA (Gestão dos Direitos dos Artistas), afirma que Carolina Deslandes ignorou o funcionamento do processo de nomeação e votação.

Considerando que as reações são um indicador de que os prémios "são ambicionados [pelos artistas]", Paulo Carvalho acredita, por outro lado, que as mesmas demonstram "desconhecimento da Carolina Deslandes em relação à forma como os artistas são nomeados e votados para vencedores. Lamentamos que ela não tenha investigado essa parte para perceber que a indústria de que fala são muitos dos seus colegas, técnicos de som, de iluminação, produtores musicais... Este ano, a organização decidiu alterar completamente os processos de nomeação", revela, explicando que, atualmente, a academia que vota nos vencedores não contempla representantes das editoras discográficas. "As editoras, através da Audiogest, que é um dos promotores dos Play, autoexcluíram-se desse processo. Portanto, a tal indústria [de que fala Deslandes] não está nestes prémios", garante.

Numa publicação nas suas redes sociais, Carolina Deslandes havia, recorde-se, escrito: "Por muito que trabalhes, por muito que percorras o país de norte a sul, por muitas canções que faças e resultados que tenhas, a indústria vai sempre arranjar a sua forma de te fazer sentir um perdedor. Sempre. E o problema não és tu. A indústria da música em Portugal é profundamente snob com a música POP (...) Se é POP, se toda a gente canta, é porque não é cool o suficiente. Não é conceptual o suficiente. E então não é reconhecido". Na edição deste ano, Deslandes foi nomeada para Melhor Artista Feminina, prémio que seria atribuído a Capicua.

"Como manager de artistas que fui, durante 25 anos, entendo a dor da Carolina. Mas, de repente, ela está a desfazer os prémios, e isso não faz sentido", argumenta Paulo Carvalho, que desde 1991 trabalha em agenciamento e produção de espetáculos e já representou artistas como GNR, Carlos do Carmo, David Fonseca, Da Weasel ou Pedro Abrunhosa. "Há aqui uma coisa muito maior do que a Carolina Deslandes. Isso ela terá de entender, é um processo de maturação", acrescenta, sublinhando que contratou recentemente a autora de 'Avião de Papel' para o festival EA Évora, que produziu. "A Carolina tem de entender que é grande e tem de ser magnânima. É um processo de crescimento necessário para conseguir ser maior, o que acredito que vá fazer".

Paulo Carvalho, diretor dos prémios Play

Paulo Carvalho, diretor dos prémios Play

Paulo Carvalho explicita os critérios das nomeações: se em categorias como Melhor Disco Jazz ou Melhor Disco de Música Clássica, as nomeações estão sujeitas a candidaturas, outras, como as de Canção do Ano, Melhor Grupo, Melhor Artista Feminino ou Masculino, "partem de uma lista elaborada pela GFK [empresa de estudos de mercado], que mede os consumos e cria uma lista dos 30 mais. Esses são os critérios quantitativos. A partir daí é a academia, com mais de 300 elementos, que faz a sua escolha", diz, acrescentando que o processo é auditado. "É um processo limpo, transparente e cristalino, por isso é que me custa que tentem descredibilizá-lo e dizer que foram nomeados à força", confessa, referindo-se às declarações de Carolina Deslandes ao site "Magg" ("Este ano, nomearam-me para a categoria de Melhor Artista Feminina a ferros, não foi uma coisa orgânica", disse).

O diretor dos prémios Play recusa ainda que o evento seja um evento "de nicho" ou "um festival da Antena 3", como afirmado por Carolina Deslandes ao mesmo site. "É uma incongruência. Ao termos uma lista de 30 mais, estamos a falar dos 30 artistas e obras que foram mais consumidos no país. Não há nada que possa estar mais longe do 'festival da Antena 3'", refere o também produtor de eventos, que à BLITZ revelou que em breve anunciará dois festivais de música, "um deles no Parque das Nações [em Lisboa], num jardim escondido e belíssimo".