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Bruce Dickinson, dos Iron Maiden

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Bruce Dickinson dos Iron Maiden votou a favor do Brexit. Agora lamenta as consequências

“Toda a gente sabe que eu votei a favor do Brexit. Mas a ideia era, depois de sairmos da União Europeia, criarmos uma relação sensata com as pessoas. Esta treta de não podermos tocar na Europa e de os europeus não poderem tocar aqui - vá lá, resolvam isto”, apela o vocalista dos Iron Maiden, visivelmente incomodado

Bruce Dickinson, vocalista dos Iron Maiden, criticou duramente o Governo de Boris Johnson por ainda não ter encontrado uma forma de promover a livre circulação de músicos ingleses e suas equipas pela Europa, após o Brexit.

Curiosamente, Bruce Dickinson votou a favor da saída do Reino Unido da União Europeia, tendo chegado a desvalorizar as consequências do Brexit na indústria da música ao vivo.

Depois da saída do Reino Unido da União Europeia, os artistas britânicos que quiserem fazer digressões na Europa terão de desembolsar quantias avultadas para adquirirem vistos e autorizações de trabalho, o que impedirá boa parte dos músicos de saírem do país.

"Nem me digam nada sobre a atitude do Governo para com a indústria do entretenimento. Somos provavelmente uma das maiores exportações do Reino Unido e estamos aqui parados, sem poder fazer nada", lamentou Bruce Dickinson, à Sky News.

"Toda a gente sabe que eu votei a favor do Brexit. Mas a ideia era que, depois de sairmos [da União Europeia], criássemos uma relação sensata com as pessoas. Esta treta de não podermos tocar na Europa e de os europeus não poderem tocar aqui e das autorizações de trabalho e isso tudo - vá lá, resolvam isto", apelou.

Antes do referendo sobre o Brexit, Bruce Dickinson defendeu que a saída do Reino Unido da União Europeia tornaria o país "mais flexível", beneficiando também os europeus.

Quem também criticou o Governo nesta área foi Elton John. "Estou tão zangado. O Governo não fez qualquer plano para a indústria do entretenimento, e não falo só dos músicos e dos atores e realizadores como das equipas, dos dançarinos e de todas as pessoas que ganham a vida viajando para a Europa."

"Pessoas como eu têm dinheiro para ir à Europa, porque temos quem nos trate dos vistos, mas o que me deixa maluco é que a indústria do entretenimento traz mais de 100 mil milhões de euros por ano para o país e somos abandonados assim."

Em resposta, um porta-voz do Governo afirmou que é possível viajar para 17 países da União Europeia para dar concertos, sem precisar daqueles documentos. "Contudo, reconhecemos as dificuldades atravessadas pelo setor, razão pela qual estamos a trabalhar individualmente com cada estado-membro, de forma a encorajá-los a adotarem uma postura mais flexível", acrescentam.