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Winston Marshall, dos Mumford & Sons

Ethan Miller/Getty Images

Membro dos Mumford & Sons sai da banda após polémica. “Nunca devia ter pedido desculpa”

No início do ano, Winston Marshall, o dono do banjo nos Mumford & Sons, causou celeuma ao mostrar a sua admiração por autor associado à extrema-direita. Na altura, pediu desculpa e fez uma pausa; agora, vai sair da banda para poder continuar a dizer o que pensa sem prejudicar aqueles que o rodeiam, justifica

Winston Marshall, que nos Mumford & Sons tocava banjo e guitarra, decidiu abandonar a banda, depois da polémica em que se viu envolvido no passado mês de março, quando mostrou a sua admiração por Andy Ngo, figura associada, nos Estados Unidos, à extrema-direita, e autor do livro "Unmasked: Inside Antifa’s Radical Plan To Destroy Democracy".

Na altura, e a propósito desse mesmo livro, Winston Marshall escreveu no Twitter que Andy Ngo era "um homem corajoso". As reações negativas que se seguiram levaram o músico a pedir desculpa e a afastar-se da banda durante algum tempo, para refletir.

Agora, o inglês revelou que vai mesmo abandonar o grupo e que se arrepende de ter pedido desculpa.

"Não percebi que o facto de comentar um livro que critica a extrema-esquerda poderia ser interpretado como uma aprovação, da minha parte, da extrema-direita. Isso não podia ser mais falso. 13 membros da minha família foram assassinados nos campos de concentração do Holocausto. Ao contrário dos seus primos, tias e tios, a minha avó sobreviveu e éramos muito próximos. A minha família conhece os perigos do fascismo demasiado bem. Chamarem-me fascista foi além de ridículo", escreve Winston Marshall.

O músico diz ainda que, apesar da pressão do público, os Mumford & Sons não quiseram despedi-lo da banda, mas que os ataques online não cessaram.

"Passei muito tempo a refletir, a ler e a ouvir. A verdade é que, só por ter comentado um livro que fala da extrema-esquerda e das suas atividades, não quer dizer que esteja a apoiar a extrema-direita. A verdade é que falar do extremismo, correndo o risco de se colocar em perigo, é sem dúvida corajoso. Também sinto que, quando pedi desculpa, contribuí para a mentira de que o extremismo [de extrema-esquerda] não existe ou que é uma coisa boa."

Winston Marshall vai agora abandonar os Mumford & Sons, para poder continuar a dizer o que pensa sem prejudicar os que o rodeiam. "Podia continuar a censurar-me, mas isso destruiria o meu sentido de integridade", justifica.