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Rita Carmo

Carlão: “Nas redes sociais há uma vontade desmedida de executar em praça pública”

“Ou amas ou odeias, ou é um demónio ou é um deus”, comenta Carlão, referindo-se à polémica motivada pela sua participação num videoclip do rapper Tekilla

Carlão comentou a polémica em que se viu envolvido, recentemente, devido à participação num vídeo do rapper Tekilla. Na canção 'Lendas', a deixa 'Se tu não és mongoloide, deves ter autismo/não quero saber de bandeiras, preconceito ou racismo' causou muitas críticas, não só ao autor daquelas palavras como aos que aceitaram participar no vídeo.

Na sequência dessas críticas, Carlão pediu desculpa a todos os que se sentiram "ofendidos e incomodados pelas palavras ali ditas, nomeadamente aos amigos que tenho com filhos e/ou familiares afetados com Síndroma de Down, autismo, ou qualquer doença física ou mental. Quem me conhece sabe que não me revejo naquilo que ali foi expresso. Quem não conhece, peço que não me julgue com base num episódio que não me define como pessoa", apelou o músico.

Esta semana, em entrevista ao semanário "O Novo", Carlão afirma que esta é "uma altura muito delicada no que diz respeito às redes sociais, esta polarização de tudo. Ou amas ou odeias, ou é um demónio ou é um deus."

"As pessoas são precipitadas a julgar. Há um mal-estar, uma acidez, uma vontade desmedida de executar em praça pública", considera, dizendo perceber "todos os lados" desta polémica. "Temos de perceber que, por muito errada que se considere aquela denominação em 2021, ela faz parte de um contexto. Não foi usada para denegrir as pessoas em questão, mas sim como figura de estilo, ainda que errada."

"A nossa postura em relação a estes assuntos tem de ser mais construtiva, de alertar", acredita Carlão. "Cresci a ouvir anedotas sexistas, machistas, racistas, homofóbicas. Hoje em dia, já não é [assim] e ainda bem, mas há resquícios disso tudo em nós."