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St. Vincent

“A intimidade, o caos e a loucura” que St. Vincent quer ter de volta. Entrevista com Annie Clark sobre um álbum muito pessoal

No outono de 2019 fez uma última visita à prisão onde o seu pai tinha cumprido uma pena por manipulação de valores em mercados financeiros. Durante perto de dez anos tinha assinado autógrafos na sala de visitas e esperava pela última vez pelo preso número 502. Esse instante representou o arranque do calendário em que começou a nascer um novo disco de St. Vincent. Annie Clark falou-nos sobre ele

Nuno Galopim

Nuno Galopim

Jornalista

Ano e meio depois, a memória desse dia está agora fixada no título de um novo álbum que, não falando apenas do momento que descreve na canção que lhe dá o título, conheceu aí o gatilho que abriu possibilidades. Os discos de outros tempos que o pai tinha em casa — sobretudo da primeira metade dos anos 70 — ajudaram a definir o rumo. Mas depois foi a “magia” que a cidade de Nova Iorque exerce sobre si que a ajudou a encontrar cenários, que acabariam habitados por referências que vão das heroínas do cinema de John Cassavetes a Candy Darling. E assim, entre factos, gentes, tempos e lugares, nasceram as narrativas de um disco que reafirma a solidez de uma voz criativa capaz de assumir o prazer do desafio e da mutação sem perder uma pitada de identidade.”

Ainda há algo mágico naquela coisa de ter algo para contar em 40 minutos”, explica Annie Erin Clarke (o seu nome real) ao Expresso, ao justificar porque, numa altura em que muitas novas vozes da música apostam sobretudo na criação de canções avulso, a ideia do álbum é ainda a que mais a atrai na hora de apresentar novas ideias. “Foi a tecnologia que ditou esta duração”, acrescenta, referindo o modo como a criação do LP (em 1948) determinou essa noção de tempo. “Mas faz sentido para que se possa contar uma história, assim como os filmes o fazem em hora e meia, com um princípio e um fim.”

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