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Salvador Sobral

Tiago Miranda

Salvador Sobral, a entrevista de vida. “Estou sempre à procura do desconforto”

Salvador Sobral está de volta com um novo álbum e uma nova “identidade sonora”. A música mais pessoal de todas às quais já deu voz. A música dele, com os seus batimentos cardíacos, a sua verdade. “BPM”, nome do novo álbum, foi o propósito para uma longa conversa, na qual fala da família, da “namorada”, que é, na verdade, a mulher com quem casou, dos medos e do “desconforto” que a fama e a Eurovisão lhe trouxeram

BPM, acrónimo do nome que se dá à contagem dos batimentos do coração por minuto, foi um som constante durante uma fase da vida de Salvador Sobral e também um sinal de esperança e de consolo na convalescença do transplante de coração pelo qual passou: “Os batimentos do coração por minuto é o que nos liga à vida, é a nossa respiração, o nosso coração, e é a música. A música também vive por causa dos seus batimentos por minuto.” “BPM” é agora “outra” música. Um disco ou o nome que Salvador Sobral escolheu para lhe dar, numa das suas noites de insónia. Através dele, dará a conhecer aos outros os seus próprios batimentos cardíacos. O menino, que na infância descobriu o desejo de cantar e na vida adulta o impulso de desbravar caminhos menos confortáveis, aventura-se agora na composição, depois de ter apreciado, no palco, “a verdade” de Jacques Brel [espetáculo “Salvador Sobral canta Brel”]. Em “BPM” não está sozinho. Tem do seu lado Leo, um amigo que conheceu em Barcelona, numa jam session quando ainda era estudante numa escola de jazz. Foi Leo Aldrey quem começou por empurrá-lo para o desconforto de compor: “Ele sempre percebeu o que eu queria fazer na música.” Juntos fizeram uma residência artística e escreveram as músicas: “Usámos muitas técnicas. Todas elas complicadas e difíceis para mim.” Apesar de Salvador se descrever como um “cosmopolita furioso”, gravaram no sul de França, num estúdio escolhido pelo próprio, “por estar rodeado pela natureza”. O resultado aponta para uma nova “identidade sonora”. A música mais pessoal de todas a que Salvador Sobral já deu voz. Pode ouvir-se a partir de 28 de maio, dia em que é lançado o disco. O single “Sangue do Meu Sangue” já anda por aí. O encontro para esta entrevista aconteceu, por sugestão do próprio, numa das salas de ensaio do Centro Cultural de Belém. Foi uma surpresa encontrá-lo naquele espaço enorme e vazio com um pia­no ao canto, o chão coberto por um linóleo preto.

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