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António Manuel Ribeiro

Rita Carmo

António Manuel Ribeiro (UHF): “Se o futebol serve para nos dividir, então não serve para nada”

“O futebol é o grande debate nacional. Nem nas tabernas se fala como em certos programas de televisão. Fazer neste momento uma canção como 'Sou Benfica' era arriscado”, concede António Manuel Ribeiro, vocalista dos UHF. Para ouvir no Posto Emissor

António Manuel Ribeiro é o convidado do episódio desta semana do Posto Emissor, o podcast semanal da BLITZ. Em conversa com Luís Guerra, o músico fala sobre as origens de um álbum a solo feito de canções que foram, ao longo dos anos, ficando longe do âmbito estético dos UHF, e cujo título remete para uma infância passada sob a mão firme da mãe. “As Canções da Casa Escura” são, nas suas palavras, “uma espécie de colheita de repouso”, que outra “casa escura”, a pandemia, conduziu ao momento certo de edição.

Numa conversa sobre paixões e aversões, o músico reflete também sobre Portugal, evocando episódios que considera exemplares na definição da personalidade “bipolar” da nação: das trevas da ditadura às ideologias vazias que procuram corroer a democracia, detendo-se na atual situação a que estão submetidos trabalhadores agrícolas imigrantes em Odemira.

Autor, em 1999, da canção 'Sou Benfica', António Manuel Ribeiro falou ainda da sua ligação ao clube das águias e ao futebol.

"Se o futebol serve para nos dividir, então não serve para nada. O futebol era festa, no meu tempo. Ninguém se insultava. A história dos insultos nas redes sociais é das coisas mais vergonhosas", considera o músico.

"O grande debate nacional é o futebol. Nem nas tabernas se fala como em certos programas de televisão. Perante este universo futeboleiro, seria arriscado fazer uma canção como fiz em 1999", concede.

Ouça a resposta completa pelos 33m 13s.