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A aventura dos dinamarqueses Iceage numa Lisboa pré-pandémica

Uma celebrada banda dinamarquesa gravou um álbum em Lisboa pouco antes da pandemia. “Seek Shelter”, provavelmente premonitório, tem aspirações espirituais

Lembram-se da Lisboa de antes da pandemia? Na verdade, era exatamente a mesma que hoje temos, mas com menos máscaras e mais Madonna, menos frascos de álcool gel e mais turistas com trolleys. Foi nessa Lisboa que os dinamarqueses Iceage aterraram em finais de 2019. Elias Bender Rønnenfelt e restantes companheiros vieram em busca de Peter Kember, o produtor de Panda Bear, Beach House ou MGMT que assina a sua própria produção artística como Sonic Boom e que há alguns anos, como tantos outros músicos, contornou o ‘Brexit’ mudando de ares — reside agora em Portugal com a sua considerável coleção de equipamento analógico. Kember já tinha expressado publicamente o seu interesse em produzir os Iceage e, por sua vez, a banda de Copenhaga já múltiplas vezes havia confessado ser fã dos Spacemen 3, o projeto com que Boom e Jason “Spiritualized” Pierce viajaram no espaço psicadélico na segunda metade dos anos 80 do século passado.

No papel, o encontro do grupo de “Beyondless” (segundo melhor álbum de 2018 para a “Blitz”) com o produtor do psicadélico “Congratulations” (segundo álbum dos MGMT, de 2010) parece saído da cabeça de argumentistas em busca da história perfeita sobre a Europa sem fronteiras, cosmopolita e gentrificada que existia antes daquele solavanco na História que ficou conhecido como covid-19 — amigos de infância que descobriram o poder do rock and roll quando trabalhavam juntos num supermercado de Copenhaga marcam encontro num velho estúdio de Lisboa para trabalhar com um excêntrico produtor inglês que resolveu que viver em Sintra era mais interessante do que permanecer na mesma ilha que Boris Johnson. Título do filme? “Seek Shelter”, pois claro.

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