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Bob Marley

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40 anos sem Bob Marley. De menino do campo a estrela planetária: quem era realmente o Rei do Reggae?

Rastafari, amante inveterado e autor de hinos de revolta e paz, cantou por Jah e por África. Levou o reggae ao mundo, amou o futebol, viveu intensamente e despediu-se cedo demais. No dia em que passam 40 anos da morte de Bob Marley, recordamos um longo artigo publicado em 2015 que conta a história detalhada da sua vida

Filipe Garcia

O apelo saiu de improviso a meio de «Jamming». «Será que podemos juntar aqui Michael Manley e Edward Seaga?" Do palco, de frente para 32 mil jamaicanos, Bob Marley sabia que presenciava um raro momento de união, num país que o extremismo político colocara à beira de uma guerra civil. De um lado, os defensores do Partido Nacional Popular de Manley, do outro os Trabalhistas de Seaga, uma guerra política que nas ruas de Kingston se transformara em batalha de gangues. Manley, internacionalmente apoiado por Fidel Castro, e Seaga, com Ronald Reagan do seu lado, subiram ao palco, e deram as mãos ao som de um grito rastafári pela «paz».

Marley já estava longe do estatuto de «mestiço» que o acompanhou na juventude e de ser o rasta fumador de erva que os vizinhos na zona nobre da cidade o acusavam de ser. Em 1978, já era porta-voz do seu próprio género musical e, provavelmente, de um país. Com os Wailers, aos 34 anos já tinha sobrevivido a um atentado, carregava um cancro sem saber e já cumprira o seu maior objetivo: apresentar o rastafarismo ao Mundo. Pelo meio, acabava de editar Exodus, o melhor disco do século XX para a revista Time. Na noite do One Love Peace Concert, do público não saíram tiros ou gás lacrimogéneo - só aplausos.

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