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Ao quinto álbum, a artista norte-americana apresenta um fulgurante e colorido manifesto de música gloriosamente livre

Renata Raksha

Vamos falar de perfeição? Valerie June fez um grande disco a partir do solo

O novo disco de Valerie June, “The Moon and Stars: Prescriptions for Dreamers”, é o ponto mais que perfeito para o qual tudo o que o antecedia converge e se magnifica

Pelo meio dos anos 90 do século passado, Valerie June Hockett era uma miúda negra adolescente, de Humboldt, no Tennessee, que fizera a aprendizagem musical na Church of Christ local, uma igreja “tão pura que, por tradição, proibia a utilização de instrumentos musicais. Por isso, tínhamos só vozes e toda a gente — velhos, jovens, afinados, desafinados — cantava. Não havia regras como ‘não sabes cantar, vais para a fila de trás’. Toda a gente cantava. Aos domingos, eram 500 pessoas a cantar em coro, a plenos pulmões”, conta ela à “Billboard”. Da santidade gospel, seguia para casa, onde se deixava desviar para aquilo a que a mãe chamava “drug music”, com a cumplicidade do pai, Emerson Hockett, empresário da construção civil e, em part-time, promotor de concertos de Prince, Bobby Womack e vários outros músicos e bandas soul e R&B. Foi por essa altura que uma inversão inesperada dos trajetos habituais aconteceu: “Ouvi a versão dos Nirvana para ‘Where Did You Sleep Last Night?’, do Leadbelly. O rapaz branco conduziu-me até aos blues. Ali estava eu à procura das minhas raízes.”

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