Perfil

Blitz

Uma parceria com o jornal EXPRESSO

Notícias

Manuel João Vieira

Rita Carmo

Manuel João Vieira: “O país onde vivo é absurdo, tal como a minha personagem em palco é também um bocadinho deficiente mental”

“Gostaria de não ser só essa personagem, mas é-me muito difícil fugir dela. Quando canto coisas mais sérias, há sempre alguém a rir-se, o que por vezes não é muito agradável”, admite Manuel João Vieira, de Enapá 2000, Irmãos Catita e vários outros projetos, numa entrevista a propósito de um espetáculo “sério” sobre canções pré e pós-revolução de Abril

Manuel João Vieira apresentou ontem, 25 de Abril, o espetáculo Nostalgia e Utopia no ciclo Abril em Lisboa, no Capitólio.

Do alinhamento deste espetáculo constaram 20 canções pré e pós-revolução, incluindo fados revolucionário, versões de José Afonso ou José Mário Branco ou originais do homem dos Ena Pá 2000.

Questionado pelo "Diário de Notícias" sobre se um dia poderá editar este espetáculo em disco, Manuel João Vieira não põe a possibilidade de parte, mas confessa: "No caso das versões do Zeca e do José Mário, gosto muito de as tocar, mas não sei se me sinto à altura para as gravar, até porque me sinto mais confortável quando canto coisas mais a gozar."

Talvez por isso, acredita Manuel João Vieira, "há sempre alguém a rir-se" quando canta coisas sérias, "o que por vezes não é muito agradável."

"[Algumas das minhas canções] são revolucionariamente absurdas, mas isso só acontece porque o país onde vivo é, ele próprio, um absurdo, tal como a personagem que uso em palco é um bocadinho deficiente mental. Gostaria de não ser só essa personagem, mas é-me muito difícil fugir dela", admite o músico.