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Carlos do Carmo

KENTON THATCHER

De quem é esta música que Carlos do Carmo nos deixa?

De ser cantor, ator e autor. “E Ainda...” é mais uma lição sobre autoria e autoridade, parte de uma história que permanecerá inacabada

Quando, no primeiro dia deste ano, o Expresso deu a notícia da morte de Carlos do Carmo, tornava-se claro que desaparecia o cantor de uma Lisboa que também se vai desvanecendo. Meses antes, em novembro de 2019, o “Charmoso”, como era conhecido nalguns meios, tinha organizado a despedida dos palcos e do público que o adorava e reconhecia nele um intérprete de exceção. Alguém que partindo do fado mais tradicional lhe conseguiu oferecer novos mundos, sendo capaz de fazer a sua transição — e assim evitar a cristalização e o fenecimento do fado — para o século XXI. Entretanto, gravou um último disco, que agora fica disponível, a par do registo de um desses derradeiros concertos, onde, além da justa recompensa do aplauso, Carlos do Carmo foi também agraciado com condecorações oficiais.

Vale a pena recordar que os últimos espetáculos foram anunciados quando subsistiam sérias dúvidas se haveria lugar para mais um disco, ainda que este já estivesse anunciado e a ser gravado. As datas de publicação foram sendo sucessivamente adiadas, mas cá está “E Ainda...”.

Porém, a última canção que cantou em público foi ‘Por Morrer Uma Andorinha’. E na história desse tema é possível rever, quase como uma réplica, toda a história do fado ou a do próprio Carlos do Carmo. Uma história nunca acabada e que provavelmente ficará sempre por contar. Porque terá escolhido essa canção?

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