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Carolina Deslandes: “Estou farta que as minhas canções só falem da minha vida, dos meus filhos, de Diogo Clemente”

Pouco tempo depois de uma participação no Festival da Canção, Carolina Deslandes dá uma entrevista em que reflete sobre os triunfos artísticos, a maternidade (“uma agência disse-me que não trabalhava com parideiras”), a relação com o corpo e o preço da fama. E assume que deseja ser conhecida por outro tipo de canções: “Fiz o 'Apetece' sobre as mulheres se poderem assumir como seres sexuais. Há muito aquela ideia de que os homens comem e as mulheres são comidas. As mulheres comem também. As vezes que quiserem, com quem quiserem”

“Estou farta que as minhas canções só falem da minha vida, dos meus filhos, de ti, do meu avô”, afirmou Carolina Deslandes em diálogo com Diogo Clemente, o seu antigo companheiro, pai dos seus filhos e principal colaborador musical.

O "ti" é Diogo, e a frase é citada no início de uma entrevista à revista Sábado, que traz Carolina Deslandes à capa da sua mais recente edição. Nela, aos 29 anos e pouco tempo depois de uma participação no Festival da Canção (ficou em 2º lugar), Carolina Deslandes percorre a sua vida e carreira: os desafios pessoais, os triunfos artísticos, a maternidade (“uma agência disse-me que trabalhava com artistas, não com parideiras”, afirma), a relação com o corpo e o preço da fama. E assume que deseja ser conhecida por canções que não falem apenas da sua vida e das pessoas que lhe são próximas.

"Há situações de tensão, saudade, perda que te dão essa sensação de dor física e uma canção pessoal é curar a ferida disso. As pessoas muitas vezes não sabem o que levou àqueles quatro minutos de canção, às vezes foram anos, às vezes foi a maior dor do mundo", esclarece, mostrando sede de estender o âmbito da sua lírica a outros territórios. "É bom gostar de um artista e saber o que ele defende, quais são as suas ideologias políticas, o que é que para ele é importante, gosto que isso esteja na arte também", prossegue.

"Fiz o 'Apetece' [incluído no EP "Mulher", lançado no final de 2020] sobre as mulheres se poderem assumir como seres sexuais. A única canção que fala sobre isto em português é o 'Faz Gostoso', da Blaya, e ainda assim diz que ele faz tão gostoso. E eu gostava de dizer que eu faço tão gostoso. Há muito aquela ideia de que os homens comem e as mulheres são comidas. As mulheres comem também. E bem. As vezes que quiserem, com quem quiserem".