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Gisela João

Quando Gisela João canta, tudo é perfeito. A dor e a luz de uma voz que não sabe mentir

Ao terceiro álbum, Gisela João cria uma banda sonora para todos, e todas, que se permitem sentir no limite das suas forças. É um disco onde a dor serve de alavanca à luz. “Canto com aquilo que tenho”, afirma em entrevista ao Expresso

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Gisela João tem um sorriso que ilumina qualquer sala. A alegria e energia que irradiam da sua presença serão, porventura, a mais forte das imagens que lhe associamos desde que, há oito anos, se estreou no mundo do fado com um álbum homónimo. Mas Gisela João, nascida em Barcelos há 37 anos, tem muitas mulheres dentro de si — e cada uma emana uma luz diferente. “Ainda outro dia uma menina daquelas que fazem grupos de fãs fez uma montagem de imagens minhas”, conta-nos no seu ateliê, em Lisboa. “E da primeira à última imagem sou eu a rir! Eu vi aquilo e pensei: ‘Muita gente tem esta ideia de mim, e de facto eu sou aquilo. Mas também sou isto.’”

“Isto” é a Gisela introspetiva e invariavelmente intensa que se oferece ao mundo em “AuRora”, o seu terceiro álbum de estúdio, gravado com os músicos que habitualmente a acompanham mas também com dois novos importantes colaboradores: Michael League, mentor da banda norte-americana Snarky Puppy, e Justin Stanton, músico da mesma banda e namorado de Gisela João. Foi a eles que a minhota teve de se traduzir, em várias aceções: “Para lhes explicar o que é que as letras dizem, tive de lhes explicar como é que sinto a vida, e a fazer isso também me descobri a mim. Porque traduzia-lhes as letras em mais de um sentido. Primeiro, naquele que é mais rápido de perceber: uma relação amorosa. Mas também como se fosse uma relação com o trabalho, com a natureza ou com o mundo.”

Este é um artigo do semanário Expresso. Clique AQUI para continuar a ler.