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Fixe este nome: Serpentwithfeet. Fez um álbum onde o sexo e a religião vão viver felizes para sempre

Três anos depois de uma estreia atordoante, Serpentwithfeet escreve uma delicada carta de amor-próprio e, pelo caminho, apaixona-se pelo mundo

A história de Josiah Wise não será, à partida, muito diferente da de muitos outros cantores norte-americanos que chamam a si os ensinamentos da soul e dos blues: cresceu no seio de uma família católica, na cidade de Baltimore, e deu os primeiros passos musicais no coro de igreja dirigido pela mãe. Do gospel para a música clássica foi um salto que até o poderá ter surpreendido, mas a vontade de seguir caminho como cantor lírico sair-lhe-ia frustrada, empurrando-o direto para os braços da comunidade neo-soul de Filadélfia, cidade onde fez os estudos superiores. Quando, em 2014, se apresentou com a canção ‘Curiosity of Other Men’, juntando um sample de uma composição de Tchaikovsky a uma desconcertante abordagem poética — cantava versos como “being lonely is not a win/ being a slave to hatred is not a win/ I want you, I want to be possessed by you” —, ficavam cimentadas as fundações de Serpentwithfeet, um alter ego que, desde o início, deixou bem claras as suas intenções pouco ortodoxas.

Passados sete anos, e depois de um efervescente EP produzido pelo mago das eletrónicas The Haxan Cloak (colaborador de Björk, Health ou Goldfrapp) e de um sublime primeiro álbum (“Soil”, de 2018), Wise reapresenta-se como alguém que pretende abraçar, com igual fervor, o seu lado luminoso e as suas facetas mais sombrias. E 2021 pode muito bem vir a ser o seu ano.

Este é um artigo do semanário Expresso. Clique AQUI para continuar a ler.