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Fernando Ribeiro, dos Moonspell

Rita Carmo

Fernando Ribeiro (Moonspell): “O colonialismo foi horrível, mas destruir o passado só contribui para mais destruição”

“Não glorifico a História de Portugal, mas também não a nego. [É] como a história pessoal: nós fazemos bem e fazemos mal. O mais errado aqui é o moralismo e a incapacidade de perdoar”, considera o líder dos Moonspell, abordando também o 'cancelamento' da arte

Fernando Ribeiro, dos Moonspell, falou sobre a forma como o colonialismo é visto na atualidade, defendendo que, embora tenha sido "horrível", "destruir esse passado" só vai contribuir para "mais divisão e mais destruição".

"Como é óbvio, o colonialismo foi horrível, não só o português mas o de todas as nações brancas que o fizeram", começa por dizer o músico em entrevista ao Jornal de Negócios, "mas na minha opinião estar a destruir esse passado ou estar a exercer violência sobre ele vai completamente ao encontro do que o Nietzsche dizia de a nossa cultura ser incapaz de perdoar".

Ribeiro diz que não glorifica a história de Portugal mas que também não a nega, "como a própria história pessoal": "Nós fazemos bem e fazemos mal. O mais errado aqui é o moralismo e a incapacidade de perdoar. Acho que podemos ter uma atitude construtiva nesse perdoar do colonialismo português, principalmente não da minha parte, mas das pessoas que sentiram e que sentem isso na pele".

"Acho que estamos a ir num caminho muito perigoso, que depois envolve, como é óbvio, o cancelamento da arte, a destruição de estátuas, etc., e penso que ainda não temos a distância histórica para fazer as coisas dessa maneira", acrescenta, "preferia muito mais que houvesse um entendimento. Se não já tínhamos destruído qualquer vestígio do império Romano, que era um império estudado e adorado e foi provavelmente dos impérios mais sanguinários do mundo".