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Raül Refree e Lina, um espanhol e uma portuguesa a transformarem a tradição do fado

Augusto Brázio

Uma fadista transmontana, um músico catalão. Quem são Lina e Raül Refree, os vencedores do Prémio Carlos do Carmo

Há coisa de um ano, uma fadista transmontana radicada em Lisboa e o catalão que produziu o misterioso álbum de estreia de Rosalía juntaram-se para fazer um disco de fado “diferente”. Uma pandemia depois, Lina e Raül Refree acabam de ganhar a edição inaugural do Prémio Carlos do Carmo. Ao Expresso, em março, a dupla explicava como nasceu esta surpreendente cumplicidade e um álbum que também chamou a atenção lá fora

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Cresceram separados por 900 quilómetros, ela numa aldeia de Bragança, em Trás-os-Montes, ele na cosmopolita capital da Catalunha, Barcelona — mas cedo a vida de Lina Rodrigues e Raül Refree (nascido Raül Fernandez Miró) foi intercetada pela mesma paixão, a música. Ao Expresso, pouco mais de um ano depois da edição do álbum “Lina_Raül Refree”, a fadista partilha a sua história. “Eu nasci em Hamburgo, onde os meus pais viveram 11 anos. Quando eu tinha cinco meses, regressaram a Portugal.” Apesar de ter vindo ao mundo na Alemanha, considera-se “profundamente transmontana” e foi na aldeia de Aveleda que, contagiada pela melomania do pai agricultor, se deixou seduzir pelo fado. “Sempre tive essa paixão, incutida pelo meu pai, que tem o fado no sangue.”

Em casa da família Rodrigues nunca faltou música, sendo Amália a rainha da playlist doméstica. Quanto Lina tinha dez anos, o seu amor pelas artes ganhou novos horizontes. “Fui viver para o Porto com a minha irmã, que entrou para a Faculdade de Ciências, e com a minha mãe. O meu pai não pôde vir connosco, porque tem a propriedade e os animais. Como os meus pais percebiam que eu gostava muito de música, inscreveram-me num coro, no Círculo Portuense de Ópera. Aos dez anos comecei a cantar com a Orquestra Nacional do Porto”, recorda, admitindo que, na altura, não tinha “a noção da responsabilidade” dessa tarefa. “Era uma coisa grande, para uma criança de dez anos: estar em palco com uma companhia de 60 e tal pessoas, mais a Orquestra Nacional do Porto...” Aos 15 anos, a cantora aprofundou a sua formação, ingressando no Conservatório de Música do Porto, onde durante cinco anos teve aulas de canto com a professora Palmira Troufa. Mas o chamamento do fado soou mais alto, e aos 18 começou a cantar na Casa da Mariquinhas, na Invicta.

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