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This Mortal Coil, uma 'super-banda' à moda da 4AD, em 1991

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Os segredos, sonhos e medos da 4AD, uma editora de “beautiful freaks” que não desejavam ser vistos

A editora 4AD celebra quatro décadas de existência abrindo o seu catálogo à reinterpretação pelas atuais bandas da casa. “Quisemos assinalar uma espécie de mudança de pele”, diz o patrão, Simon Halliday

Quando, em 1980, Ivo Watts-Russell e Peter Kent fundaram a 4AD, o plano era mantê-la em atividade durante 10 anos e, no último dia de 1990, fechar as portas. Ainda esse dia estava longe de chegar e já Watts-Russell — o mais novo de oito irmãos de uma linhagem aristocrática arruinada —, na segunda metade dos anos 80, confessava ser incapaz de virar costas às bandas (Cocteau Twins, This Mortal Coil, Dead Can Dance, Clan of Xymox, Bauhaus, Modern English, Birthday Party, Xmal Deutschland, Colourbox, The Wolfgang Press...) que haviam transformado a editora num dos mais luminosos faróis da cena indie britânica. Segundo Martin Aston, autor de “Facing the Other Way: The Story of 4AD” (2013), o sucesso da 4AD assentou no desprendimento comercial de Ivo Watts-Russell — que, logo em 1981, ficaria sozinho à frente da editora — e numa inclinação estética que privilegiava “sentimentos e segredos ocultos, sonhos ansiosos e medos sufocados, esperança e raiva, criados por uma trupe de beautiful freaks que não desejavam ser vistos”.

O horizonte alargar-se-ia até à outra margem do Atlântico, onde iriam descobrir Pixies, Throwing Muses e Breeders, mas em 1999 Ivo venderia a sua quota da editora à Beggars Banquet — para a qual, desde o início, a 4AD fora pensada como incubadora de novas bandas — e exilar-se-ia até hoje no deserto do Novo México. A partir de 2007, com Simon Halliday no comando das operações, sem abdicar significativamente do perfil original, o catálogo foi-se diversificando e alargando (Mountain Goats, TV on The Radio, The National, Scott Walker, Beirut, Bon Iver, Tune-Yards, St. Vincent, Efterklang, Grimes, Future Islands, U.S. Girls, Holly Herndon, Aldous Harding, Big Thief), chegando, agora, o momento de celebrar quatro décadas de existência com a publicação de “Bills & Aches & Blues”, uma espécie de recuperação atualizada do conceito This Mortal Coil, no qual bandas atuais revisitam temas dos ‘clássicos’ 4AD.

Este é um artigo do semanário Expresso. Clique AQUI para continuar a ler.