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Fernando Ribeiro, dos Moonspell

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Fernando Ribeiro (Moonspell): “Os subúrbios na Europa são diferentes dos americanos. Em Portugal, os subúrbios são como bairros de lata”

“Em 2020 fui o homem de família, o cuidador, o pai. Também escrevi um romance sobre ter crescido nos subúrbios de Lisboa. Nasci em 1974, o ano em que voltámos a viver em democracia e depois, com o grande boom dos anos 80, a música estava em todo o lado, até nos subúrbios, onde eu cresci. Um grande melting pot”, afirma o vocalista dos Moonspell em entrevista ao site norte-americano “Consequence of Sound”

Fernando Ribeiro, vocalista dos Moonspell, deu uma entrevista ao site norte-americano Consequence of Sound, na qual falou sobre o mais recente álbum da sua banda, "Hermitage", bem como sobre a situação da cultura em Portugal e a sua juventude passada na Brandoa, Amadora.

Sobre a forma como tem vivido a pandemia, afirma o músico português: "É como se estivéssemos numa distopia. Até perguntar 'estás bem?' parece estranho. Ninguém está realmente bem", explica, dizendo que em 2020 se dedicou, naturalmente, mais à família do que à música.

"Em 2020 percebi que teria poucas oportunidades de me sentir um músico realizado, então fui mais o homem de família, o cuidador, o pai. Também escrevi um romance sobre ter crescido nos subúrbios de Lisboa. Na Europa os subúrbios são muito diferentes dos norte-americanos. Em Portugal, os subúrbios são como bairros de lata. Onde eu cresci a construção era clandestina."

Mais à frente, Fernando Ribeiro fala com carinho sobre a sua juventude, que inspirou o seu romance. "Nasci em 1974, o ano em que voltámos a viver em democracia e depois, com o grande boom dos anos 80, a música estava em todo o lado, até nos subúrbios, onde eu cresci. Vivi num pequeno bairro perto de Lisboa e é aí que o meu romance se passa. Vivíamos todos juntos e havia uma certa magia no ar. [Juntavam-se] pessoas do litoral, do campo, da cidade e todas as pessoas que trabalhavam em Lisboa. Não podiam viver em Lisboa, porque era muito caro viver na cidade, então viviam nos subúrbios, trazendo para ali todo o seu folclore, as suas histórias e a sua música, formando um grande melting pot. O meu livro é sobre isso, mas nas suas formas mais negras."

Na mesma entrevista, Fernando Ribeiro fala sobre o processo de vacinação em Portugal ("O problema é que, no sul da Europa, as coisas às vezes tornam-se caóticas com a corrupção"), sobre o facto de a pandemia ter unido os trabalhadores da cultura em Portugal e sobre as saudades de tocar ao vivo. "[O regresso aos concertos] não tem só a ver com dinheiro, mas também com um estilo de vida. Faço digressões desde 1995. Eu não sou assim, mas conheço pessoas que ficam muito deprimidas e sem sentido na vida quando não andam em digressão."