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A cantiga é uma arma. Há uma década em Portugal, Luca Argel quer libertar o Brasil

É um disco, um jornal e um manifesto sobre a força do samba como “experiência alternativa de organização social”. “Samba de Guerrilha”, o quarto álbum do brasileiro Luca Argel, convida a dançar mas também a pensar

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Se o operário soubesse reconhecer o valor que tem seu dia/ Por certo que valeria duas vezes mais o seu salário.” São estas as primeiras palavras que ouvimos em “Samba de Guerrilha”, um disco que é, ao mesmo tempo, um jornal e uma tese sobre três realidades difíceis de abarcar em duas mãos cheias de canções: o samba enquanto ferramenta de comentário e intervenção política, a história da escravatura no Brasil e o racismo estrutural que perdura, naquele país, até hoje. Ao leme desta missão ambiciosa está Luca Argel, músico brasileiro que há coisa de uma década chama casa a Portugal. Foi quando se mudou para Aveiro, primeiro, e para o Porto, depois, com o fito de aprofundar os estudos em Música e Literatura, que o carioca deu por si, parafraseando o álbum do compatriota Tom Zé, “estudando o samba”. Foi preciso sair do epicentro de um fenómeno artístico que hoje reconhece como singular para que essa curiosidade se aguçasse, conta ao Expresso. “Quando saímos do país onde [nascemos] e crescemos, ganhamos uma perspetiva muito diferente, descobrindo o que realmente existe dele dentro de nós”, partilha.

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