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Será que Lana del Rey é real? Já não importa

Entre o reconhecimento sério e a fama vazia, Lana Del Rey continua a ser a mais fiel passageira das suas canções. A mulher sedutora, a mulher ferida, a atriz num papel fatal. Será real? Dez anos depois, esta pergunta já não se coloca

As estações do ano podem mudar, mas nós não mudamos”. Os versos de abertura de ‘Yosemite’, bonita canção acústica de “Chemtrails Over the Country Club”, o novo álbum de Lana Del Rey, podiam muito bem ser interpretados como máxima de vida da artista norte-americana. Com maior ou menor apelo pop, os sete álbuns (ou seis mais um) que editou até agora não se desviam grandemente da sua maior fonte de inspiração: aqueles anos dourados de Hollywood que ampliaram para o mundo o “sonho americano” e direcionaram os holofotes para a mulher sedutora, dividida entre a melancolia da vida doméstica e o poderio da sua sexualidade. É dessa fotografia suspensa no tempo que nascem as acusações de “glamorização da violência doméstica” que a perseguem desde o momento em que o mundo ficou a conhecê-la. Canções de mulher ferida, que por muitos maus-tratos que sofra às mãos do homem amado continuará lá para tratar dele, sempre se evidenciaram na discografia de Del Rey, e voltam agora a esticar-se numa espreguiçadeira de ouro neste “Chemtrails Over the Country Club”.

Nem seria necessário ouvirmos com atenção a letra de ‘Let Me Love You Like a Woman’ para nos apercebermos de que um verso como “deixa-me abraçar-te como a um bebé” estaria ali algures entre o explícito e as entrelinhas. Aliás, ‘Let Me Love You Like a Woman’ soa, quer em termos líricos quer em termos estéticos, a prolongamento de ‘Blue Jeans’, canção de 2011 que se tornou uma ode apaixonada ao homem que a fez perceber que “o amor é mau” e “o amor magoa”, prometendo ainda assim amá-lo “até ao fim dos tempos”. É certo que essa aparente glamorização do estereótipo da mulher cuidadora e delicada entra em conflito direto com a assertividade com que Lana manifesta as suas opiniões publicamente, mas, em termos criativos, a escritora de canções que conhecemos há uma década não difere drasticamente da que ouvimos hoje em ‘Wild at Heart’ ou ‘Dark but Just a Game’.

Este é um artigo do semanário Expresso. Clique AQUI para continuar a ler.