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Rádio Universitária do Minho rejeita acusações de censura feitas pelos Mão Morta

A Rádio Universitária do Minho (RUM), em Braga, rejeitou as acusações de censura de que foi alvo, na sequência da retirada de um programa de humor, situação que levou os Mão Morta a proibir a estação de passar música da banda

A Rádio Universitária do Minho (RUM), em Braga, rejeitou este sábado as acusações de censura de que foi alvo, na sequência da retirada de um programa de humor, garantindo ter “respeito pelos valores da liberdade de expressão e informação”.

Num comunicado publicado na sua página oficial, a RUM, que é propriedade da Associação Académica da Universidade do Minho, explica a decisão sobre o programa e apresenta-se como “órgão de comunicação social amplamente conhecido e reconhecido pela singularidade da sua programação, pela isenção da sua informação, pela qualidade da sua intervenção cultural”.

“Acima de tudo [a RUM] sempre evidenciou [respeito] pelos valores da liberdade de expressão e informação, expressos na Constituição da República Portuguesa”, lê-se no comunicado que surge um dia depois de os músicos Miguel Pedro, Adolfo Luxúria Canibal e António Rafael terem tornado público que proibiram esta rádio de reproduzir as suas obras, em protesto contra o que consideram a censura da estação a um programa de humor.

“É o nosso protesto contra uma censura grotesca da RUM a um programa de autor e de humor, que caricaturava algumas situações da vida da cidade e do concelho”, disse à Lusa o músico Miguel Pedro.

Miguel Pedro, Adolfo Macedo (mais conhecido pelo nome Adolfo Luxúria Canibal) e António Rafael integram os Mão Morta (os dois primeiros desde a fundação e Rafael desde 1990), estando também ligados a projetos como Mundo Cão, Estilhaços, Um Zero Amarelo, entre outros.

A Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) já notificou a RUM de que se deve abster, “de imediato”, de utilizar as obras dos três músicos, foi noticiado na sexta-feira.

Na origem do protesto dos músicos está o facto de a RUM ter decidido cancelar o “Junta de Boys”, um programa que estava no ar desde 2018.

A RUM descreve que a decisão decorre “da partilha do ficheiro de áudio do conteúdo informativo de uma entrevista para efeitos de entretenimento antes da sua disponibilização ao público nas plataformas digitais, ocorrência assumida por ambos os intervenientes no sucedido”, algo que considera que “colocou em causa o princípio de que os programas de autor são independentes dos conteúdos informativos produzidos pela própria rádio”.

“A retirada do programa de autor ‘Junta de Boys’ na Rádio Universitária do Minho foi comunicada ao responsável do programa no dia 25 de fevereiro, o qual confirmou a receção da decisão, mas, até ao momento, não contestou formalmente os fundamentos apresentados”, descreve a rádio.

A RUM recorda ainda que o programa em causa “já era transmitido em diferido” nesta rádio “à segunda-feira, com periodicidade quinzenal, depois de ser transmitido em direto ao domingo nas redes sociais, através das quais chegava em primeira mão a um público mais alargado”

“Nesse sentido, a decisão da Rádio Universitária do Minho não configura qualquer ataque à liberdade de expressão nem a liberdade dos intervenientes no programa é, de alguma forma, posta em causa por esta decisão, na medida que a sua continuidade está assegurada pelos meios próprios que o programa adotou há cerca de um ano a esta parte”, acrescenta a rádio da Associação Académica da Universidade do Minho.

Por fim, a RUM refere que, “apesar dos ataques expressos no espaço público ao longo dos últimos dias”, esta “entende que cumpriu a sua missão e a sua tradição de apoio e impulso ao lançamento de projetos inovadores e agradece ao autor e restantes intervenientes no programa pela sua colaboração ao longo destes anos de emissões”.

A agência Lusa tentou obter, via telefone, mais esclarecimentos junto do administrador da RUM, Vasco Leão, mas até ao momento sem sucesso.

Adolfo Luxúria Canibal, vocalista dos Mão Morta, é o convidado desta semana do Posto Emissor, o podcast semanal da BLITZ. O bracarense partilha todos os projetos que tem prontos a apresentar, mal o desconfinamento assim o permita, deixa críticas ao Ministério da Cultura e defende a urgência da criação do estatuto de trabalhador intermitente do espetáculo