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Natália de Andrade

Recordar é viver. A inclassificável Natália de Andrade, a voz de 'O Meu Amor É Verde', na TV portuguesa do início dos anos 80

Natália de Andrade foi uma peculiar figura da música portuguesa do século XX. Se Herman José a imitaria vezes sem conta no seu estilo inconfundível, Júlio Isidro convidou-a mesmo para cantar ao vivo no programa “O Passeio dos Alegres”, que o país parava para ver no início dos anos 1980. Recordamos uma atuação tão emotiva como desconcertante daquela a quem chamaram “a diva tragicómica”. “Foi muito mau?”, perguntou a cantora no fim, recebendo um ramo de flores

Nascida em 1910 numa aldeia do distrito de Coimbra, Natália Andrade é uma figura peculiar da música portuguesa do século XX, tendo-se distinguido pela tentativa de manter uma carreira no canto lírico.

As suas atuações, porém, causavam um involuntário efeito cómico, chegando a sua história a ser comparada à de Florence Foster Jenkins, uma cantora de ópera igualmente amadora que Meryl Streep encarnou num filme de 2016.

Sobre a portuguesa Natália de Andrade, falecida em 1999, não se fizeram biopics, mas sim um documentário: "Diva Tragicómica" (2011), de João Gomes, com depoimentos de Júlio Isidro ou Herman José, que com frequência cantava um tema seu, ''O Nosso Amor é Verde', em programas e atuações ao vivo.

Neste vídeo, retirado do programa de TV "O Passeio dos Alegres", popular no arranque dos anos 80, Natália de Andrade mostrava o seu estilo particular de interpretação, acompanhada ao piano num trecho de 'Il Trovatore', de Verdi. No final, quando Júlio Isidro a aborda para lhe entregar um ramo de flores, pergunta: "Foi muito mau?".