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Os Kings of Leon agora são homens de família. Uma entrevista sobre juventude, o sucesso que embriaga e boa música

Quase 20 anos depois da estreia, os Kings of Leon passaram de banda de irmãos tumultuosos a quarteto de pais de família. A diferença nota-se na música. “Acho que [no início] nem tinha cérebro. Desconfio que passei por tudo a flutuar”, diz-nos o guitarrista Matthew Followill

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Quando juntaram o seu nome ao movimento do “novo rock” dos anos 2000, os Kings of Leon eram jovens e inexperientes. Lançado há 18 anos, “Youth & Young Manhood” valeu-lhes um lugar na onda cavalgada por Strokes ou White Stripes, apresentando-os ao mundo como uma espécie de cowboys de guitarra em riste. Naturais de Nashville, no Tennessee, os irmãos Caleb, Nathan e Jared e o seu primo Matthew formavam o clã Followill, mais próximo do chamado rock sulista e também da country/folk do que os seus companheiros de geração. Contra as expectativas dos próprios, a sua música indisfarçavelmente yankee acabou por ‘furar’ na Europa, tradicionalmente arredia destes sons. “Foi muito estranho!”, concorda Matthew Followill, guitarrista dos Kings of Leon, ao telefone com o Expresso da sua casa em Nashville. “Ainda me lembro quando nos ligavam a dizer: ‘Pessoal, surgiu a oportunidade de darem alguns concertos em Inglaterra!’ E nós ficávamos: ‘O quê? Que loucura!’ O resto, como se costuma dizer, é história. Descolámos logo”, resume, referindo-se a um trajeto de extremo sucesso, sobretudo no Reino Unido, onde os Kings of Leon são altamente acarinhados até hoje. Alguma teoria para explicar este fenómeno de popularidade? “Acho que éramos tão diferentes que acabávamos por ser originais”, palpita.

Ao invés da coolness urbana de muitos dos seus conterrâneos, os autores de ‘Molly’s Chambers’ apresentavam com orgulho as suas referências: filhos de um pastor da Igreja Pentecostal, nascidos e criados em ambiente rural, os Strokes do Sul, como chegaram a ser chamados, admiravam, também, outras bandas além de Velvet Undergound ou Pixies (grupos “da cidade” trazidos para o grupo pelo baixista Jared Followill, que estudou numa escola diferente). Ainda hoje, explica Matthew, a coerência estética no seio da banda se mantém. “Acho que não discordamos em muita coisa. Todos percebemos o que é que os outros apreciam numa certa banda, mesmo que não a adoremos também. É capaz de haver alguns artistas country ou folk que eu não adoro e que talvez os outros adorem, e se calhar divergimos aí. Quanto a bandas de que todos gostamos... Crescemos a ouvir os Thin Lizzy. Os nossos pais tinham sempre os seus álbuns por perto e teremos sempre isso em comum.”