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João Lima/Expresso

Simone de Oliveira: “Ser mulher é uma coisa boa, mas para ser honesta gostava de ter sido homem”

“Um dia fui chamada ao liceu da minha filha e perguntei se havia algum problema. A diretora estava confusa: 'O que me espanta é como é que a filha de uma cantora que se deita tarde, fuma e usa decotes pode ser tão boa aluna'”

Simone de Oliveira dá uma entrevista à edição desta segunda-feira do "Diário de Notícias", na qual recorda que, quando se quis divorciar, não pôde fazê-lo, uma vez que, nos anos 60, não era possível fazê-lo em Portugal. A cantora conseguiu obter apenas a separação judicial de pessoas e bens.

"Uma menina que casa pela igreja e, ao fim de três meses, foge, não era nada normal para aquela altura. As mulheres apanhavam dos maridos e ficavam em casa. Saí de casa e não me arrependo de nada. Lutei muito para ter a minha liberdade. Ser mulher é uma coisa boa, mas para ser honesta gostava de ter sido homem", confessa Simone de Oliveira.

Justificando-se, a intérprete de 'Desfolhada" explica: "Teria sido mais fácil manter as atitudes que tive se fosse homem, talvez não tivesse sido tão penalizada por fazer coisas que considerava absolutamente normais e naturais. Um dia fui chamada ao liceu da minha filha, perguntei se havia algum problema com a Eduarda, a diretora diz-me que não há problema, que ela é extraordinária, mas estava confusa. E disse: 'O que me espanta é como é que a filha de uma cantora, que se deita tarde, que fuma e usa decotes, pode ser tão boa aluna?'", recorda a artista, hoje com 83 anos, em pleno Dia da Mulher.

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