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Roberta Medina: “Adiar o Rock in Rio este ano foi muito frustrante porque já começa a ver-se a luz ao fundo do túnel”

Roberta Medina, vice-presidente do festival, falou à BLITZ sobre a frustração de nova edição cancelada e abriu a porta para a possibilidade de realizar outros eventos no Parque da Bela Vista, mas lamenta que “só agora se esteja a discutir os concertos-teste, quando isso já foi feito noutros países há muito mais tempo”. Para 2022, não anuncia cartaz mas confia num “ano muito vibrante” na música em todo o mundo

Depois de ter anunciado, esta quinta-feira, o adiamento do Rock in Rio-Lisboa para 2022, por não haver garantias de que estejam reunidas as condições para realizar o festival "no seu modelo original" em junho, Roberta Medina assumiu, em entrevista à BLITZ, que foi "muito frustrante" decidir adiar quando "já começa a ver-se a luz ao fundo do túnel". "O aperto no coração de tomar a decisão agora foi muito mais difícil do que no ano passado, por vermos que, se Deus quiser, está quase. Foi a semana da frustração, mas já estamos a olhar para o futuro", começou por dizer a vice-presidente do Rock in Rio, "com tudo o que se foi dizendo, desde janeiro, o nosso otimismo padrão começou a ficar pendurado no telhado. Achamos que vai melhorar e depois piora, mas as coisas, de repente, podem resolver-se mais rápido do que se espera".

"Podíamos estar a ter uma outra performance no que diz respeito à gestão da indústria, há um monte de ‘e se?’, mas este lugar de treinador de bancada é mais fácil", acrescenta, "só estamos a discutir os eventos-teste hoje, quando isso já foi feito noutros países há muito mais tempo. Sejam as ferramentas que forem, já podiam estar a ser experimentadas há mais tempo. É verdade que, por outro lado, os testes estão a evoluir, já se desenvolveram testes mais rápidos e com preços mais acessíveis, mas quando comparamos o andamento da vacinação em Inglaterra e nos Estados Unidos com a vacinação na Europa, estamos mais atrás. E isso traz consequências". Medina explica que as conversações com o governo terminaram na semana passada, com o executivo a transmitir-lhe que não havia garantias de que, em junho, o festival pudesse realizar-se nos moldes habituais. "Nesta altura do campeonato já estaríamos a montar a cidade do rock", revela, recordando que no ano passado o cenário foi diferente, "em 2020, fomos apanhados já com o carro na rua, já estávamos a montar".

O anúncio do adiamento não veio com esclarecimentos sobre a eventual manutenção do cartaz que estava programado para este ano – e que incluía nomes como Foo Fighters, Post Malone, Black Eyed Peas, Anitta ou Duran Duran – mas a empresária espera que não seja muito diferente. "As agendas dos próprios artistas estão a sofrer muitos impactos, e só agora estamos a começar a falar com eles", diz, "nos próximos meses, se as coisas não ficarem mais claras, é natural que vejamos mais adiamentos a acontecer, portanto só agora eles estão a fazer o rascunho das digressões de 2022. O que sabemos é que o próximo ano vai ser muito farto em termos de oferta, com muito artista a sair para a estrada e muita coisa a acontecer, então acho que podemos esperar um ano muito vibrante no que diz respeito ao cenário da música mundial".

A empresária espera que, se o desconfinamento correr bem, os eventos de música possam regressar ainda antes de junho. "Se podemos entrar num avião com o teste feito e ficar horas trancados sem distanciamento social, nada me diz que não se pode fazer isso num evento", defende, acrescentando que estão “a debater a possibilidade de fazer ações no próprio Parque da Bela Vista, no formato que for".

"É fundamental que o mercado retome o mais rápido possível", diz, salientando que o Rock in Rio "é um evento que traz para a cidade de Lisboa, a cada edição, 70 milhões de euros, mais ou menos". "É um estudo antigo, mas é o que há, e é bastante curto, falando só do investimento da organização, patrocinadores e parceiros e medindo o impacto direto dos bilhetes que são vendidos fora e o que esses turistas trazem. É um impacto significativo, mas, na verdade, acho que é muito maior. E não devemos olhar só para o Rock in Rio, que felizmente é uma empresa sólida e tem condições de passar por este desafio, o que me preocupa são as empresas que não têm essas condições e são essenciais para que o Rock in Rio possa acontecer".