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Rita Carmo

Festivais de verão. “É muito cedo” para haver uma decisão, afirma Graça Freitas

A diretora-geral da Saúde aponta o Reino Unido como “um laboratório” para o eventual regresso dos festivais de música em Portugal. “Conseguiremos ver como foi [aí] o impacto de espetáculos com muita gente”, afirma, considerando contudo que é “muito cedo” para se dizer se os eventos se podem realizar. No calendário de 2021, os primeiros grandes festivais de música são o NOS Primavera Sound, já adiado para 2022, e o Rock in Rio-Lisboa, que deverá em breve anunciar o que vai fazer

Questionada sobre o regresso dos espetáculos culturais, e em particular os festivais de música que decorrem durante o verão, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, considera que “é muito cedo” para que se possa dizer de forma clara se os eventos se podem realizar este ano.

Em entrevista no programa "Grande Entrevista", da RTP, Graça Freitas aponta a bússola para o Reino Unido, onde antes de uma reabertura mais ampla, serão feitos eventos-piloto com público sujeito a testagem covid. Portugal, refere, estará atento às conclusões desses testes. "Vamos ter [em Inglaterra] um laboratório, bem como em outros países. Conseguiremos ver como foi o impacto disso, espectáculos com muita gente", acrescenta.

É sabido que promotores de espetáculos e a Direção-Geral de Saúde (DGS) ponderam levar a cabo eventos experimentais, depois do desconfinamento, de forma a perceber em que moldes se poderão realizar, no verão, os festivais de música. Os eventos, a realizarem-se, deverão acontecer no Campo Pequeno, em Lisboa, e no Pavilhão Rosa Mota, no Porto. Da proposta entregue pelos promotores à DGS constam os seguintes passos: os espectadores terão de fazer um teste rápido até 72 horas antes do evento, repeti-lo à entrada do recinto e, duas semanas mais tarde, realizar um novo teste e responder a um questionário. Nestes eventos, o uso de máscara será obrigatório.

À BLITZ, Luís Pardelha, da APEFE (Associação de Promotores de Espetáculos, Festivais e Eventos), ressalvou porém que os eventos piloto ainda não foram aprovados pela DGS. Se forem para a frente, estas experiências, que deverão ser de natureza musical, acontecerão aquando do desconfinamento, que não se prevê que aconteça antes de abril. Na mesma entrevista à RTP, Graça Freitas esclarece: "Foram apresentados projetos à DGS, mas ainda não validámos. Depende do tipo de teste que estiver disponível no mercado e da nossa capacidade de o fazermos".

Ao contrário do que acontece no Reino Unido, onde o Governo de Boris Johnson anunciou um plano de reabertura da sociedade e da economia para os próximos meses, não deixando de fora os festivais, as discotecas e os pubs, em Portugal essa visão de futuro próximo ainda não existe (António Costa prometeu apresentá-lo a 11 de março). A BLITZ ouviu promotores de festivais e encontrou diferentes níveis de otimismo: há quem acredite no verão e há quem tenha receio de já não ir a tempo. Desde então, o NOS Primavera Sound, que se deveria realizar nos dias 10, 11 e 12 de junho, anunciou o adiamento para 2022. A BLITZ sabe que, em breve, também o Rock in Rio-Lisboa deverá anunciar uma decisão sobre a edição deste ano, prevista para 19, 20, 26 e 27 de junho.