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Churky, Rita Vian e Domenico Lancellotti

A vida para lá da pandemia. Há uma nova editora em Portugal, chama-se Arraial e tem música nova a caminho

Num altura em que muita música fica adiada à espera de um dia melhor, decidiu remar contra a maré. A nova editora Arraial, liderada por Pedro Trigueiro, ex-label manager e promotor da Universal e responsável pela gestão de carreiras de artistas como Branko, Márcia ou Banda do Mar, quer afirmar-se em tempos difíceis e tem vários discos agendados para os próximos meses

Desde que a covid-19 entrou em força em Portugal, foram vários os álbuns de artistas nacionais a serem adiados – muitos deles, prometidos desde o ano passado, ainda não viram a luz do dia –, mas da crise surgem sempre oportunidades e há uma nova editora nacional que chega num momento em que a indústria musical começa a programar o pós-pandemia. Chama-se Arraial, surge como uma extensão da agência de management e assessoria de comunicação Arruada, que tem no seu catálogo artistas como Dino D'Santiago, Márcia, Branko, Banda do Mar ou Cristina Branco, e tem várias edições a caminho.

“Temos sido tudo menos passivos durante a pandemia”, explica à BLITZ Pedro Trigueiro, diretor da Arruada e da Arraial (e ex-label manager e promotor da Universal), “o nome [da nova editora] chegou-nos em junho do ano passado, mas só estamos a ativá-lo agora. Já fazemos produção executiva de discos há um bom bocado, desde o tempo de Buraka Som Sistema, passando pelo Regula, Cristina Branco, Banda do Mar, portanto esse 'know-how' já tínhamos. Estamos a otimizar recursos para que a estratégia nasça num sítio e seja consumada nesse mesmo sítio”.

O primeiro momento da Arraial acontece já esta sexta-feira, com a edição de um single do cantor, compositor e multi-instrumentista brasileiro Domenico Lancellotti, que já trabalhou com nomes como Caetano Veloso, Adriana Calcanhotto ou Fernanda Abreu, estando também programado para breve o lançamento do seu álbum. “Depois, em abril, avançamos com um EP do Churky e em maio/junho temos o EP da Rita Vian”, revela Trigueiro, acrescentando que mais para a frente, ainda em 2021, terão mais discos a ver a luz do dia.

“Não nos cingimos a um só universo musical, um bocado em espelho com o que a Arruada é”, diz o diretor da Arraial, “tenho dificuldade em pensar que a música erudita terá em nós o melhor caminho, não acho que seja, mas, de resto, todo o tipo de música para mim é viável. Não consigo ter todos os artistas do mesmo género, não consigo trabalhar dessa forma, tenho de ser um bocadinho mais aberto”.

A ideia da Arraial como mais um braço da Arruada chega dentro de uma estratégia de 360’, ou seja, garantir a edição, agenciamento e promoção dos artistas. De certa forma, o trabalho já tinha sido iniciado. “O último disco da Cristina Branco [“Eva”, de 2020] é 360’ nosso, por exemplo”, explica Trigueiro, “tive conversas com o Branko e com o Marcelo Camelo, ao longo do tempo, e eles diziam-me que este seria o processo mais natural. Nunca tinha dado esse passo, mas agora, especialmente com a pandemia, houve tempo. O congelamento de concertos fez com que houvesse abertura para se pensar noutras coisas”.

O facto de haver muitos discos a serem adiados – “o disco da Mallu Magalhães está para sair desde o início da pandemia, já foi adiado e está a ser trabalhado agora” – não assusta a Arraial, especialmente porque “neste momento, está a acontecer muita coisa no digital”. “Esse espaço, há que aproveitá-lo agora”, conclui, “usando uma imagem da Fórmula 1, é preciso manter os pneus quentes. Se tudo correr bem, a corrida há de arrancar. A pandemia há de desacelerar bastante e nós temos que arrancar na vida. Nessa altura, espero ter as rodas bastante quentes para arrancarmos bem. Não é só olhar para isto como uma oportunidade nascida da crise. É quase natural... A coisa ia dar-se, mais dia menos dia, mais mês menos mês acabaríamos por oficializar isto”.