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Mamonas Assassinas

Há 25 anos, todos os membros da banda Mamonas Assassinas morriam num acidente de avião. Um dia depois, tinham voo para Portugal

Foram um meteorito na música brasileira dos anos 90. Surgiram em cena com uma mistura bem humorada de vários estilos musicais, do heavy metal ao bem português vira do Minho, com letras politicamente incorretas. Lançaram um único álbum a meio da década e viram o seu percurso fulgurante interrompido poucos meses depois por um trágico acidente de avião que vitimou todos os músicos da banda. Um dia depois do acidente, deveriam partir para Portugal

2 de março de 1996. Dinho, Bento Hinoto, Samuel Reoli, Júlio Rasec e Sérgio Reoli, os integrantes da banda brasileira Mamonas Assassinas, voltavam de um concerto em Brasília, num jato privado que habitualmente os transportava entre concertos no território brasileiro, quando a aeronave chocou contra a Serra da Cantareira, a norte da cidade de São Paulo, pouco depois das onze da noite, e se desfaz em pedaços. Não sobreviveu qualquer das pessoas a bordo. No dia seguinte, o grupo deveria partir para Portugal.

O álbum “Mamonas Assassinas”, de 1995

O álbum “Mamonas Assassinas”, de 1995

O abrupto e trágico fim de uma das bandas do momento no Brasil gerou comoção coletiva dos dois lados do Atlântico. Formada em Guarulhos, estado de São Paulo, em 1989, o grupo passou por vários percalços criativos e comerciais (editaram até aí sob designação Utopia, sem sucesso) até à edição daquele que seria o seu único álbum de estúdio, "Mamonas Assassinas", lançado em junho de 1995 e sucesso instantâneo. Preconizando uma singular mistura de pop/rock com géneros como heavy metal, sertanejo, pagode, forró, mariachi e o bem português vira minhoto, o disco venderia quase 2 milhões de cópias no Brasil e obteria, ao longo dos meses seguintes, retumbante sucesso em Portugal: de acordo com a AFP, em 1996 foi o segundo álbum mais vendido no nosso país, sendo apenas batido por um dos maiores 'best sellers' da música portuguesa, a coletânea "O Caminho da Felicidade", dos Delfins.

Gravado em maio de 1995, em Los Angeles (EUA), o álbum de estreia do grupo era uma grande aposta da editora EMI, chegando às lojas em junho. No dia que a rádio passou o tema 'Vira-Vira', inspirado no vira minhoto e em 'Arrebita, canção que Roberto Leal popularizou no Brasil na década de 70, o fenómeno teve início. "Mamonas Assassinas" foi o disco de estreia que mais vendeu no Brasil e também aquele que mais cópias vendeu num único dia: terão sido 25 mil cópias os discos vendidos na 12 horas seguintes ao 'airplay' radiofónico.

Em poucos meses, o grupo entrou numa digressão gigantesca, viajando ao longo do Brasil em ziguezagues constantes, uma vez que as solicitações de televisão de São Paulo e Rio de Janeiro assim o obrigavam. 24 dos 27 estados brasileiros receberam concertos da banda, sendo normal que o grupo atuasse mais do que uma vez por dia. O público infantil, apesar das letras politicamente incorretas, foi rápido a aderir ao rock humorístico do quinteto, que popularizou canções como 'Pelados em Santos', 'Robocop Gay' ou 'Mundo Animal'.

À data do acidente, em pleno auge comercial, os Mamonas Assassinas preparavam para tomar Portugal de 'assalto', estando previstas, numa primeira instância, aparições televisivas. A partida para Portugal estava agendada para 3 de março. Um dia depois, os músicos iriam a enterrar no cemitério em Guarulhos, São Paulo, tendo acorrido ao último adeus cerca de 65 mil pessoas.