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Mara Wilson, atriz de “Matilda, a Espalha Brasas”, filme de 1996

Getty Images

“Uma coisa são crianças de 10 anos a enviar cartas, apaixonadas por mim. Outra são homens de 50”. Mara Wilson, 'Matilda' há 25 anos

25 anos depois de protagonizar no cinema “Matilda, a Espalha Brasas”, a antiga atriz Mara Wilson, hoje com 33 anos, critica a sexualização das celebridades infantis. “Senti sempre vergonha. O 'meu' assédio não foi nas rodagens dos filmes, deu-se às mãos dos media e do público”. A sua história é contada, na primeira pessoa, num ensaio intitulado “As mentiras que Hollywood conta sobre as meninas”, publicado esta terça-feira no “New York Times”. E também é sobre Britney Spears

Mara Wilson, a atriz que em 1996 protagonizou no cinema “Matilda, a Espalha Brasas”, escreveu um ensaio no "New York Times" sobre os perigos que enfrentou quando, em criança, foi uma estrela de cinema.

Wilson, que aos 8 anos foi "Matilda" na comédia realizada por Danny DeVito, usa o documentário "Framing Britney Spears" como ponto de partida. “A Britney Spears e eu aprendemos a mesma lição: quando se é jovem e famoso nada se consegue controlar”, escreve.

"Nunca apareci em lado algum com um vestido acima do joelho", recorda. "Foi intencional: os meus pais pensavam que eu estaria assim mais segura. Mas não resultou", continua, dando depois exemplos do assédio que sofreu. "Nas entrevistas, as pessoas estavam sempre a perguntar se tinha namorado. Desde os meus 6 anos. Os jornalistas perguntavam-me qual era, a meu ver, o ator mais sexy e o que pensava eu da prisão do Hugh Grant depois de este solicitar os serviços de uma prostituta. Era giro quando crianças de 10 anos me escreviam cartas dizendo que estavam apaixonadas por mim. Mas não posso dizer o mesmo quando eram homens de 50. Não tinha ainda 12 anos e já havia fotos minhas em sites de 'fetiche de pés' e montagens com a minha cara em sites de pornografia infantil".

"Senti vergonha o tempo todo. Hollywood decidiu debater o assédio na indústria, mas eu nunca fui sexualmente assediada na rodagem de um filme. O 'meu' abuso sexual aconteceu sempre às mãos dos media e do público", sublinha. "A forma como as pessoas falavam sobre Britney Spears era terrível para mim, e ainda é. A história dela é o exemplo acabado de um fenómeno que testemunhei durante anos: a nossa cultura desenvolve estas crianças só para destruí-las. Felizmente, começamos a pedir-lhe desculpa. Mas ainda vivemos com as cicatrizes".