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Black Country, New Road

Como 7 jovens ingleses fizeram a música do fim do mundo. Chamam-se Black Country, New Road e 2021 já é deles

Habituemo-nos a eles. Sete cabeças, um turbilhão de ideias e uma explosão de ruído e silêncio. Um disco portentoso, “For the First Time”. Chegaram os Black Country, New Road. Estará encontrada a banda sonora de 2021?

Ao longo dos últimos anos, duas correntes brotaram do Reino Unido, conquistando notoriedade além-fronteiras: por um lado, bandas rock como Idles, Shame ou Fat White Family vêm pegando nos estilhaços do punk e pós-punk para oferecer ao mundo uma música que não é nova, mas surge dotada de uma energia que a torna palpitante para as jovens gerações. Por outro, um novo jazz foi desabrochando na margem de outros estilos, como descreve a editora Soul Jazz na apresentação da sua coletânea de 2020, “Kaleidoscope — New Spirits Known and Unknown”: “A abordagem destes artistas apresenta uma ampla variedade de estilos — do jazz profundamente espiritual à experimentação eletrónica, ao funk tingido de funk e às vozes soul.” Na involuntária interceção destes dois afluentes, o rock e o jazz, parecem habitar os Black Country, New Road, uma das bandas mais badaladas deste início de ano. Se a sua história pouco difere da da maioria dos grupos (os músicos foram-se conhecendo na escola e no seio de outras bandas onde militaram antes da presente aventura), o mesmo não se pode dizer do som que praticam. Ao cabo de dois singles lançados — ‘Athen’s France’, em janeiro de 2019, e ‘Sunglasses’, em julho do mesmo ano —, a excitação em torno do septeto londrino era de tal ordem que o site “Quietus” não hesitou em cunhá-los como “a melhor banda do mundo”. O epíteto não lhes tirou os pés da terra, pelo contrário.

Numa chamada Zoom com o Expresso, Lewis Evans (saxofone), Georgia Ellery (violino) e Tyler Hyde (baixo) riem-se quando recordam esse piropo. “Não o levámos a sério, porque é ridículo!”, garante a baixista, que é filha de Karl Hyde, vocalista dos Underworld. “Foi uma piada, de certeza. Alguém deve ter dito [ao autor do artigo]: ‘havias de escrever isso, tinha graça’.” Depois de mais dois singles chegaria “For the First Time”, o álbum de estreia da banda rock que conquistou um lugar no catálogo da Ninja Tune, editora mais conhecida pela aposta em artistas de música eletrónica. Mas por esta altura já deve ter suspeitado que os Black Country, New Road estão longe de ser uma banda rock convencional. Para começar, um dos instrumentos em destaque é o saxofone, e numa abordagem mais ‘confrontacional’ do que propriamente ornamental. Perguntámos ao dono do instrumento, Lewis Evans, se o saxofone está a regressar ao rock desde “Black Star”, o derradeiro álbum de David Bowie, de 2016. “É uma das razões, sem dúvida”, acredita.

Este é um artigo do semanário Expresso. Clique AQUI para continuar a ler.