Perfil

Blitz

Uma parceria com o jornal EXPRESSO

Notícias

Fernando Ribeiro

Rita Carmo

O primeiro romance de Fernando Ribeiro (Moonspell) inclui “uma maratona de dança ganha por um toxicodependente, uma história verídica”

Fernando Ribeiro, vocalista dos Moonspell, publica um romance em maio. “Foi uma espécie de bênção das musas literárias que me apareceu em janeiro de 2020. Fiquei até um bocado vaidoso e surpreendido com o convite”, confessa. A ação de “Bairro Sem Saída” passa-se na Brandoa, concelho da Amadora, onde o músico cresceu

Fernando Ribeiro, vocalista dos Moonspell, vai fazer a sua estreia literária no romance com o livro “Bairro Sem Saída”, que tem publicação apontada para maio, pela Suma de Letras, do grupo Penguin Random House.

“Foi uma sorte que eu tive, uma espécie de bênção das musas literárias que me apareceu em janeiro de 2020. Fiquei até um bocado vaidoso e surpreendido com o convite. Estavam à procura de novas vozes e o formato teria de ser o romance. Não tenho historial nem bagagem literária nem nada, mas tinha uma ideia que se concretizou num livro, que provavelmente sairá em maio, para aproveitar aquele período do 'degelo covid', se ele existir”, disse Fernando Ribeiro à Lusa.

Com uma bibliografia até aqui centrada na poesia, com passagem pelo conto, Fernando Ribeiro está agora a terminar o seu primeiro romance, passado num subúrbio que se torna percetível ser a Brandoa, na Amadora, onde o músico e escritor, de 46 anos, cresceu.

“Há uma espécie de realismo mágico, por assim dizer, que não tem muito a ver com o do Gabriel García Márquez. […] O protagonista chama-se Rogério Paulo, que foi um ator dos anos 1970 de quem a minha mãe gostava muito”, contou o autor do livro.

A narrativa acompanha o crescimento do protagonista perante a implantação "de um bairro rico que vai invadir e tentar aniquilar os costumes do bairro pobre, que, mesmo na sua tristeza, dor, melancolia, era o bairro em que as pessoas se uniam”.

“Depois há várias situações, há uma missa negra, com um DJ de ‘heavy metal’, num prédio dos ricos, em que o Rogério Paulo tem uma atitude de destaque. Há uma maratona de dança em que ganha um toxicodependente, que é uma história verídica na Brandoa, aquilo chegou a ser um sitio onde havia de tudo”, explicou Fernando Ribeiro, admitindo ter já ideias para novos projetos literários.

Várias vezes aponto ideias para romances e gostava de ter tempo de os escrever. No registo de sonho, entrevejo aqui uma diminuição do caudal de Moonspell, que está a acontecer mesmo sem a gente querer, e se calhar [há] aqui uma alternativa que me possa também trazer algum futuro. Mas sei bem que é ‘wishful thinking’. Por enquanto, vou acabar o ‘Bairro Sem Saída’ e talvez me lance noutra escrita”, adianta.

Pelo meio, Fernando Ribeiro tem ainda um novo trabalho poético, intitulado “Sermão às Vespas”, e o que chama o seu “livro de ‘haikus’”, escrito em inglês, aos quais ainda não sabe que destino dar.

Quanto aos Moonspell, editarão o álbum "Hermitage" no dia 26 de fevereiro.

Fruto de um processo que se iniciou em 2017, no rescaldo de “1755”, “Hermitage” foi gravado no Reino Unido com produção de Jaime Gomez Arellano, que “percebeu muito bem o som” que a banda pretendia de “um disco sem qualquer espécie de amarras, ao legado, à sonoridade, à futura opinião dos fãs”, afirmou Fernando Ribeiro, explicando que este é um disco "sem amarras" ao passado do grupo.

Fernando Ribeiro falou brevemente sobre este projeto literário, e sobre muitos outros assuntos, no Posto Emissor, podcast semanal da BLITZ, que pode recordar aqui:

Com Lusa